TCC: Moda x Sociedade de Consumo

Hoje vou contar a vocês um pouco sobre a minha monografia. Prefiro contar, mesmo, do que só compartilhar aqui o texto completo em pdf e nas normas da ABNT. Acho que todos concordamos que estas formalidades não são lá as mais interessantes. Apesar de ter cursado Direito, nunca me senti muito empolgada com legislações, jurisprudências e discussões jurídicas, no geral. Tive a sorte de escolher o meu tema a partir da sociologia - essa sim, me fascina.

Falei de moda e da sua relação com a sociedade de consumo, um tema que permite inúmeras abordagens, apesar de não ser dos mais presentes nas pesquisas acadêmicas. Comecei o trabalho afirmando que, ao caracterizar a sociedade contemporânea, não encontramos termo mais adequado do que "Sociedade de Consumo". Não falo do consumo natural e saudável, mas de sua dimensão ostentatória e exagerada - um sistema de reciclagens e circularidade vazia.

Neste contexto, a moda se insere como eixo normativo, ou expressão máxima do consumo. Ela estabelece vínculos entre o mercado e a sociedade, determinando os produtos que representam a suposta satisfação dos desejos pessoais, sucesso e felicidade do consumidor.

Como diria Baudrillard, grande responsável pela base teórica do meu trabalho, não consumimos coisas, mas "signos" - associações simbólicas da mercadoria. Em outras palavras, não consumimos um casaco pela utilidade que o mesmo nos oferece, qual seja, nos proteger do frio, mas pela marca que possui, pelo status que ele representa ou pela felicidade que supostamente nos proporciona. Nas palavras do mesmo autor, a moda "[...] constitui o desespero de que nada dure." - ela retira o interesse do que não é novo - você precisa se reciclar sempre.

Falando de Bauman, outro teórico que muito me ensinou sobre o tema, a perseguição pela felicidade parece ser o bem mais valioso da sociedade de consumo. Com a economia voraz e o ritmo acelerado com que os produtos entram e saem de moda, a insatisfação é contínua. A gente sempre precisa ficar um pouco mais feliz, "comprando algo novo". Vive-se a era do prazer efêmero.

Já Bourdieu, ao estudar a Alta Costura, constata que o termo "grife" funciona como a assinatura de um pintor consagrado, que atribui valor imediato à um produto. Não por sua funcionalidade ou pela riqueza de seus materiais, mas pelo símbolo de status e poder que representa.

De modo a relacionar as reflexões destes autores à realidade em que vivemos, fiz uma pesquisa acadêmica a respeito do tema. Apesar de não ser possível trabalhar com generalizações, os dados obtidos a partir do questionário (disponibilizado aqui no site, rs!) mostram que diversas posições dos autores estudados durante o trabalho são verdades na atualidade. 

São muitas as mulheres que desejam uma peça não em razão de suas características materiais, mas pela imagem da mulher/modelo perfeita e padronizada à qual ela está associada. As tendências de moda incentivam o desejo pelo consumo sempre que surge uma novidade no mercado: tudo tem data de validade afixada.

Na minha opinião, a parte mais interessante do trabalho é aquela em que faço uma relação da entrevista realizada com modelos aos pensamentos dos teóricos da sociedade de consumo. Percebe-se que a própria modelo se sente como um produto também, e deve se comportar de acordo com as exigências dos padrões de moda. Como uma delas afirmou, muitas meninas acabam por exercer o papel de personagens ao invés de agirem de acordo com a própria personalidade (Agradecimentos muito especiais à todas as meninas que me ajudaram com esta pesquisa. Não seria possível concluir o trabalho sem a participação de vocês.).

Sei que as conclusões do trabalho são bastante pessimistas em relação à moda, e não constituem a minha opinião pessoal. Tenho certeza de que esta é uma realidade, mas acredito que a moda, como fenômeno que nos acompanha à tantos séculos não pode se resumir apenas à uma ferramenta da sociedade de consumo. Acredito na moda como forma de expressão social e cultural das pessoas, em épocas diferentes. Acredito no consumo de moda saudável, na reciclagem das peças de nosso próprio guarda-roupas, e nas criações de artistas que possuem o talento de traduzir personalidade em roupa.

Se você curtiu o tema e quer se aprofundar ainda mais nele, pode conferir o meu trabalho completo neste link. Eu amo (sempre que posso) dividir o que me interessa com vocês. Não seria diferente desta vez!

Aguardo muitos comentários, opiniões, críticas ou o que quer que vocês desejem expressar.

Saudades!

Beijos,

Luisa.

Sobre o que a gente é quando cresce.

Já faz tempo quando, com meus 10 anos de idade, eu disse que seria veterinária quando crescesse. Os animais eram o que eu mais amava no mundo. Acabei desistindo pois não gostava da idéia de operar os bichinhos, e sabia que alguém faria o trabalho muito melhor do que eu. Jornalismo, advocacia e publicidade foram as outras carreiras que já me passaram pela cabeça. Nunca tive certeza sobre nenhuma delas. Difícil escolher o que a gente quer fazer para "ganhar a vida". Mais difícil ainda: ter coragem para fugir ao que  acham que "devemos" fazer da nossa vida.

Hoje, aos 23 anos, se você me perguntar o que me trouxe até aqui, terei que pensar por bons instantes. Os meus diários da infância, a paixão por fotografia, a mania de querer viver os meus sonhos... Ou talvez uma seqüência de fatos arranjados pelas pessoas, lugares e experiências que me tocaram a alma, daquele jeito que a gente sabe que não pode dar errado.

Não me lembro de ter respondido nenhum dos questionários cheios de possibilidades "do que você quer ser quando crescer". Os sonhos não cabiam na resposta, e ainda faltava muito para ser crescida. Eu sabia que queria ter um trabalho que me fizesse feliz, viajar o mundo e ter uma agenda lotada - e organizada - de compromissos. Eu queria ser importante, e só depois descobri que a única coisa que importava viria com o tempo: experiência.

A gente tem essa mania de querer ter tudo resolvido antes do tempo. Achamos que a descoberta do que amamos será o fim de nossas buscas, quando na verdade é apenas o começo de nossas aventuras. Ninguém deveria ter que saber o que quer ser quando crescer... Na minha opinião, quem tem a resposta é a vida. À nós só cabe experimentar - do jeito mais gostoso possível.

Se eu soubesse desde o princípio o que fazer com o meu tempo, certamente o caminho seria mais curto e muito menos surpreendente, empolgante e prazeroso. Eu tive medo, e entendi que se preocupar demais é centralizar a energia no que a gente não quer que aconteça. Duvidei do que eu poderia ser, mas os resultados me mostraram que eu só precisava fazer e acreditar para ter o que queria. A determinação é muito diferente da prepotência. Você reconhece seu valor, percebe que é o único responsável na busca de seus desejos e cresce com humildade.

Alguns dias você olha para trás e é engraçado pensar que você não sabia, mas nasceu para ser o que é. Não existe tempo certo para isso, pois a gente só atrai o que está pronto para viver. É como buscar um amor, que só vai nos encontrar quando estivermos distraídos. Eu ainda consigo me ver há um ano atrás, um pouco perdida nos objetivos da minha vida, sem saber o que fazer com o meu tempo. Não imaginava que hoje não teria tempo para pensar nisso. A realização me consome, e empreender é o que me realiza.

E você, tem sonhado com o que? Talvez possa lhe servir um pouco do que aprendi, quando digo: não se aflija. Comece, tente, experimente, faça o novo. Não se compare com os outros, pois ninguém foi único tentando se espelhar no resto do mundo. Acrescente o que deu errado ao seu potencial e experiência. Faça o que você ama, e não o que você acha que deveria amar. Paixão é essência e a gente não escolhe.

Tento não me esquecer de curtir o meu presente, que passa tão rápido quando a gente só quer mais. Sonhar é sempre bom, mas mais gostoso ainda é viver a realidade que a gente sempre quis. É crescer querendo ser cada vez mais o que, hoje, somos.