Serra do Caparaó

Eu amo viajar pelo Espírito Santo, e sempre que conheço um de seus cantos tenho mais certeza de que são muitos os lugares incríveis para se descobrir por aqui.

Há algumas semanas fui conhecer a Serra do Caparaó, região serrana que abriga um dos pontos mais altos do país: o famoso pico da Bandeira. Quando criança eu ouvi muito falar de lá, mas nunca encarei as excursões da escola, rs.

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Fiquei duas noites na pousada Villa Januária, localizada na região de Pedra Menina - em Dores do Rio Preto: um dos principais pontos de partida para quem quer visitar o parque nacional. 

Me encantei com todo o charme e estrutura da pousada, linda! Os quartos ficam em um casarão enorme do século XX - todo restaurado. O café da manhã é especial - aqueles com cara de casa de vó, sabe? Super caseiro e delicioso. O próprio café é produzido ali mesmo, na região.

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Também visitei a região do Vale Encantado, que fica dentro do parque. Banho muito, muito gelado e uma vista de tirar o fôlego!

You always have a choice

Ontem eu tive o enorme prazer de ver meu nome na lista dos aprovados na OAB. Apesar de não ter sido a mais emocionante das conquistas, foi impossível não sentir alegria por mais uma etapa cumprida: "Ok, agora eu não preciso mais pensar nisso (e nem passar horas grifando legislações trabalhistas - isso realmente me deixou muito feliz, rs!)". E desde então tenho pensado nisso... Na minha escolha de não seguir a carreira jurídica, e na felicidade que senti ao me intitular "advogada", mesmo sabendo que talvez nunca vá redigir ou assinar uma peça processual na vida.

Eu fiz uma escolha, e não foi a mais fácil. É maravilhoso, eu sei, ter a oportunidade de escolher. Mas por incrível que pareça, também pode ser um pouco perturbador, ou até paralisante. Vamos supor que a vida inteira eu tenha sonhado com uma carreira na advocacia, me dedicando à este sonho todos os dias. Passar no exame da ordem seria extraordinário, e certamente iria garantir uma satisfação constante, até que um novo obstáculo a ser superado surgisse. Mas sinto apenas conforto.

Eu nunca soube o que iria fazer. Meus pais sempre me encorajaram dizendo que "eu poderia ser o que quisesse" e, nossa, isso pode ser realmente assustador. Imagine se você tivesse que escolher agora, entre as milhares de profissões do mundo, só uma para chamar de sua? Mesmo que você escolha uma pela qual sempre foi apaixonado, a inúmera quantidade de opções deixadas de lado, em algum momento vai lhe trazer certa dúvida.

Ah, essa vida cheia de escolhas. Seria muito mais fácil se todo mundo já nascesse pré-determinado a seguir um caminho: objetivos pontuais, conquistas certeiras, metas e planejamentos a todo tempo. Mas esse mundo lutou muito pela liberdade e, apesar de ser um pouco mais complicado, vale a pena tentar. Sim, tentar. Eu não sabia que seria empresária. Há um ano atrás, era "só" blogueira. Hoje estou tentando consolidar a minha marca, e fazê-la crescer até certo ponto em que eu possa reconhecer: "fiz a escolha certa". E, quer saber? Nem vou esperar até lá.

Prefiro pensar que a minha escolha foi certa só por ter sido feita. Que, diante do leque de opções e profissões ao qual somos expostos, ter a coragem e a determinação de escolher - e se dedicar a uma, já é uma conquista. É como se ver diante de uma vitrine com centenas de sabores de sorvete e escolher provar o de chocolate pensando que o de limão deve ser muito bom também. Todos são bons, na verdade. Escolhas e caminhos sempre têm seus prós e contras, suas mil possibilidades. E são todas válidas... Mesmo que em certo momento você perceba que fez a escolha errada, no fim das contas foi  ela quem te mostrou qual era a certa.

Eu sei o quanto é assustador, ter que decidir. Mas é um privilégio não precisar que alguém escolha por nós. Ser livre também é ser corajoso. Então, mesmo que você não tenha tanta certeza... Mesmo que, na balança, os caminhos diferentes se equilibrem... E mesmo que, no fundo, você não saiba o que fazer, faça alguma coisa. Não seja só o que acontece com você. Não fique parado com medo das inúmeras possibilidades, assistindo a vida acontecer.  E, quando for escolher, faça com paixão. Aí sempre vai valer a pena.

Mil beijos,

Luisa.

TCC: Moda x Sociedade de Consumo

Hoje vou contar a vocês um pouco sobre a minha monografia. Prefiro contar, mesmo, do que só compartilhar aqui o texto completo em pdf e nas normas da ABNT. Acho que todos concordamos que estas formalidades não são lá as mais interessantes. Apesar de ter cursado Direito, nunca me senti muito empolgada com legislações, jurisprudências e discussões jurídicas, no geral. Tive a sorte de escolher o meu tema a partir da sociologia - essa sim, me fascina.

Falei de moda e da sua relação com a sociedade de consumo, um tema que permite inúmeras abordagens, apesar de não ser dos mais presentes nas pesquisas acadêmicas. Comecei o trabalho afirmando que, ao caracterizar a sociedade contemporânea, não encontramos termo mais adequado do que "Sociedade de Consumo". Não falo do consumo natural e saudável, mas de sua dimensão ostentatória e exagerada - um sistema de reciclagens e circularidade vazia.

Neste contexto, a moda se insere como eixo normativo, ou expressão máxima do consumo. Ela estabelece vínculos entre o mercado e a sociedade, determinando os produtos que representam a suposta satisfação dos desejos pessoais, sucesso e felicidade do consumidor.

Como diria Baudrillard, grande responsável pela base teórica do meu trabalho, não consumimos coisas, mas "signos" - associações simbólicas da mercadoria. Em outras palavras, não consumimos um casaco pela utilidade que o mesmo nos oferece, qual seja, nos proteger do frio, mas pela marca que possui, pelo status que ele representa ou pela felicidade que supostamente nos proporciona. Nas palavras do mesmo autor, a moda "[...] constitui o desespero de que nada dure." - ela retira o interesse do que não é novo - você precisa se reciclar sempre.

Falando de Bauman, outro teórico que muito me ensinou sobre o tema, a perseguição pela felicidade parece ser o bem mais valioso da sociedade de consumo. Com a economia voraz e o ritmo acelerado com que os produtos entram e saem de moda, a insatisfação é contínua. A gente sempre precisa ficar um pouco mais feliz, "comprando algo novo". Vive-se a era do prazer efêmero.

Já Bourdieu, ao estudar a Alta Costura, constata que o termo "grife" funciona como a assinatura de um pintor consagrado, que atribui valor imediato à um produto. Não por sua funcionalidade ou pela riqueza de seus materiais, mas pelo símbolo de status e poder que representa.

De modo a relacionar as reflexões destes autores à realidade em que vivemos, fiz uma pesquisa acadêmica a respeito do tema. Apesar de não ser possível trabalhar com generalizações, os dados obtidos a partir do questionário (disponibilizado aqui no site, rs!) mostram que diversas posições dos autores estudados durante o trabalho são verdades na atualidade. 

São muitas as mulheres que desejam uma peça não em razão de suas características materiais, mas pela imagem da mulher/modelo perfeita e padronizada à qual ela está associada. As tendências de moda incentivam o desejo pelo consumo sempre que surge uma novidade no mercado: tudo tem data de validade afixada.

Na minha opinião, a parte mais interessante do trabalho é aquela em que faço uma relação da entrevista realizada com modelos aos pensamentos dos teóricos da sociedade de consumo. Percebe-se que a própria modelo se sente como um produto também, e deve se comportar de acordo com as exigências dos padrões de moda. Como uma delas afirmou, muitas meninas acabam por exercer o papel de personagens ao invés de agirem de acordo com a própria personalidade (Agradecimentos muito especiais à todas as meninas que me ajudaram com esta pesquisa. Não seria possível concluir o trabalho sem a participação de vocês.).

Sei que as conclusões do trabalho são bastante pessimistas em relação à moda, e não constituem a minha opinião pessoal. Tenho certeza de que esta é uma realidade, mas acredito que a moda, como fenômeno que nos acompanha à tantos séculos não pode se resumir apenas à uma ferramenta da sociedade de consumo. Acredito na moda como forma de expressão social e cultural das pessoas, em épocas diferentes. Acredito no consumo de moda saudável, na reciclagem das peças de nosso próprio guarda-roupas, e nas criações de artistas que possuem o talento de traduzir personalidade em roupa.

Se você curtiu o tema e quer se aprofundar ainda mais nele, pode conferir o meu trabalho completo neste link. Eu amo (sempre que posso) dividir o que me interessa com vocês. Não seria diferente desta vez!

Aguardo muitos comentários, opiniões, críticas ou o que quer que vocês desejem expressar.

Saudades!

Beijos,

Luisa.

Sobre o que a gente é quando cresce.

Já faz tempo quando, com meus 10 anos de idade, eu disse que seria veterinária quando crescesse. Os animais eram o que eu mais amava no mundo. Acabei desistindo pois não gostava da idéia de operar os bichinhos, e sabia que alguém faria o trabalho muito melhor do que eu. Jornalismo, advocacia e publicidade foram as outras carreiras que já me passaram pela cabeça. Nunca tive certeza sobre nenhuma delas. Difícil escolher o que a gente quer fazer para "ganhar a vida". Mais difícil ainda: ter coragem para fugir ao que  acham que "devemos" fazer da nossa vida.

Hoje, aos 23 anos, se você me perguntar o que me trouxe até aqui, terei que pensar por bons instantes. Os meus diários da infância, a paixão por fotografia, a mania de querer viver os meus sonhos... Ou talvez uma seqüência de fatos arranjados pelas pessoas, lugares e experiências que me tocaram a alma, daquele jeito que a gente sabe que não pode dar errado.

Não me lembro de ter respondido nenhum dos questionários cheios de possibilidades "do que você quer ser quando crescer". Os sonhos não cabiam na resposta, e ainda faltava muito para ser crescida. Eu sabia que queria ter um trabalho que me fizesse feliz, viajar o mundo e ter uma agenda lotada - e organizada - de compromissos. Eu queria ser importante, e só depois descobri que a única coisa que importava viria com o tempo: experiência.

A gente tem essa mania de querer ter tudo resolvido antes do tempo. Achamos que a descoberta do que amamos será o fim de nossas buscas, quando na verdade é apenas o começo de nossas aventuras. Ninguém deveria ter que saber o que quer ser quando crescer... Na minha opinião, quem tem a resposta é a vida. À nós só cabe experimentar - do jeito mais gostoso possível.

Se eu soubesse desde o princípio o que fazer com o meu tempo, certamente o caminho seria mais curto e muito menos surpreendente, empolgante e prazeroso. Eu tive medo, e entendi que se preocupar demais é centralizar a energia no que a gente não quer que aconteça. Duvidei do que eu poderia ser, mas os resultados me mostraram que eu só precisava fazer e acreditar para ter o que queria. A determinação é muito diferente da prepotência. Você reconhece seu valor, percebe que é o único responsável na busca de seus desejos e cresce com humildade.

Alguns dias você olha para trás e é engraçado pensar que você não sabia, mas nasceu para ser o que é. Não existe tempo certo para isso, pois a gente só atrai o que está pronto para viver. É como buscar um amor, que só vai nos encontrar quando estivermos distraídos. Eu ainda consigo me ver há um ano atrás, um pouco perdida nos objetivos da minha vida, sem saber o que fazer com o meu tempo. Não imaginava que hoje não teria tempo para pensar nisso. A realização me consome, e empreender é o que me realiza.

E você, tem sonhado com o que? Talvez possa lhe servir um pouco do que aprendi, quando digo: não se aflija. Comece, tente, experimente, faça o novo. Não se compare com os outros, pois ninguém foi único tentando se espelhar no resto do mundo. Acrescente o que deu errado ao seu potencial e experiência. Faça o que você ama, e não o que você acha que deveria amar. Paixão é essência e a gente não escolhe.

Tento não me esquecer de curtir o meu presente, que passa tão rápido quando a gente só quer mais. Sonhar é sempre bom, mas mais gostoso ainda é viver a realidade que a gente sempre quis. É crescer querendo ser cada vez mais o que, hoje, somos.

Início: a minha marca

Antes de começar a ler este post, pense um pouco em tudo o que você já viu por aqui. Se é leitora deste espaço há um bom tempo, certamente me conhece e, quem sabe, já até lembrou de mim com fotos, roupas e histórias que encontrou por seus caminhos. A gente se entende, e isso me faz muito feliz. Gosto de compartilhar o que eu amo com vocês e, nossa... Como esperei para falar deste momento. É bem difícil, na verdade, esclarecer tudo o que tem acontecido nos limites de um post, mas acho que pela nossa história nem vou precisar me esforçar tanto.

Eu sempre quis trabalhar feliz. Pertenço à geração que pretende curtir todo o percurso, ao invés de esperar para aproveitar o conforto no final do caminho. Conforto, na minha concepção, é rotina que preenche o coração. Criar uma marca já passou pela minha cabeça algumas vezes, mas achava óbvio demais. Me perdia nas incontáveis possibilidades de nomes, conceitos, temas e começos. E dali nada se construía. Com o tempo, vocês me ajudaram a encontrar e reconhecer o que foi berço de tudo: a minha identidade. Toda vez que uma leitora me mandava uma roupa que achou a minha cara, ou tirava uma foto ao "meu estilo", eu imaginava o que a fez reconhecer, ali, um pouco de mim. É incrível quando a gente consegue transmitir exatamente o que é. De certa forma, tudo aquilo que é verdadeiro assume o potencial de se tornar inspirador.

Foi natural, inevitável e muito especial, como a minha marca se construiu. Conheci as pessoas certas, nos momentos exatos, e quando isso acontece a gente tem ainda mais certeza do que está fazendo. Se tenho algo a oferecer, é a minha eterna gratidão àqueles que estão ao meu lado desde o início deste projeto. Nada como ter por perto quem nos faz acreditar na gente, e sempre direciona o caminho a nossa frente.

Faz aproximadamente 6 meses que eu não durmo ou acordo sem pensar e sonhar com tudo o que está acontecendo. É extremamente empolgante e desafiador inventar o conceito de uma coleção, acompanhar toda a sua criação e esperar para ver o que vai acontecer... O que vocês vão achar. Eu sempre quis fazer isso, mesmo sem saber desde o início. Quem curte empreendedorismo sabe que não tem nada como fazer do nosso jeito. É muito difícil, sim, e os problemas aparecem todos os dias para nos tirar o descanso. Mas no meio de toda a loucura, atrasos, imprevistos e riscos, o elogio de alguém que amou uma peça me arrepia o corpo inteiro. Nestes momentos eu me conforto e nem me importo com as noites sem dormir: só quero mais.

Me dediquei por inteiro a cada foto, mensagem e detalhe do e-commerce da marca que vai ao ar nesta semana, e confesso que me pego viajando, imaginando a reação de cada uma de vocês no primeiro acesso. Espero que acompanhe um sorriso, rs! Neste sábado, tive que segurar os olhos cheios d'água quando vi as meninas provando as peças e planejando a data certa para usarem, porque vestiu bem e elas amaram muito. Vai ser incrível ver cada uma delas acrescentando um pouco do próprio estilo à nova peça que adquiriram.

Estou muito feliz, de verdade. Mesmo com todo esse turbilhão de emoções que envolvem o lançamento, em meio a falta de tempo, meu coração insiste em repetir: "aproveite, porque está acontecendo". E obedeço, sem resistir, com um pensamento em mente: quero aproveitar para sempre.

ps: me desculpem a ausência nestas semanas recentes, isso não vai mais acontecer. O início é sempre loucura, mas aos poucos a gente se acostuma!

London day 3

Já vou começar o post avisando que estas são as minhas fotos preferidas da viagem. Reservamos a manhã da segunda-feira para um passeio clássico no parte que enfeita as redondezas do palácio de Buckingham: o Green Park. Pela primeira vez, nos hospedamos no outro lado do rio Tâmisa, em Southwark. Normalmente o custo dos hotéis é mais baixo e a região central da cidade está a apenas 20 minutos de caminhada ou 10 de metrô. Todos os dias atravessávamos a ponte para admirar a vista que eu mais amo em Londres: o parlamento e a London Eye. Mais uma vantagem de ficar no lado sul do rio!

Repetimos essa foto em algumas viagens a Londres, rs! Túnel do tempo... E que venham as próximas! Ps: não mudei quase nada e o Arthur nem parece a mesma pessoa.

A intenção era passar só a manhã no parque, mas os esquilos apareceram e a gente se apaixonou perdidamente. Me diz se existe alguma coisa mais deliciosa no mundo? Ficamos um tempão alimentando estes gordinhos que só fizeram sorrir quem passava por ali.

Juro que aquele parque era um dos lugares que eu escolheria para passar alguns dos momentos mais gostosos da vida. Não tem nada como o clima de outono, tão leve e aconchegante, confortável e colorido. Uma paisagem que pede pra gente - sempre - ficar mais um pouquinho.

Nessa época do ano escurece super cedo em Londres! A foto a seguir foi tirada por volta das 16:00... O jeito era aproveitar ao máximo a luz do dia e curtir a noite que se prolongava. Fomos para o Hyde Park e assistimos a um show no Bavarian Village, dentro do festival de inverno!

Quase um "Oktoberfest", rs! No final da festa, indiquei o caminho inverso em segredo, só pra ver a Harrods iluminada. Quando o Arthur descobriu, nem se arrependeu. Ela estava linda!

Mil beijos e até a próxima,

Luisa.

London day 2

Londres é cheia de surpresas, e sempre faço questão de descobri-las em todos os lugares possíveis. Digo isso pois vale muito a pena fugir dos programas convencionais para se aventurar nas muitas regiões da cidade. Quando fiz o curso no Marangoni em julho do ano passado fiquei hospedada em um bairro que nem fazia idéia que existia. Foi ótimo! Spitalfields devia ser visita obrigatória a todos os turistas. Foi lá onde começamos o dia e, inevitavelmente, passamos o resto dele.

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O mercado de Spitalfields acontece todos os domingos e reúne diversos estilistas novos e talentosos que desejam exibir suas coleções da maneira mais livre possível. Além das roupas, encontramos os objetos de decoração mais fofos e inesperados, como a caneca da Sussuia que hoje decora o meu quarto, rs!

Fizemos um lanche rápido e seguimos para Brick Lane, que atrai muita gente para East London graças aos diversos vintage shops, bares e mercadinhos que abriga. Rodamos horas em busca de alguns achados e o Arthur pirou com as coleções de discos de vinil disponíveis em quase todos os lugares.

Voltamos ao hotel e logo saímos para conhecer o festival de natal que acontecia em Southbank. Chegamos e já estava acabando, por isso andamos até o outro lado da cidade em busca de uma massa quentinha para o jantar!

Passando por Covent Garden... Era delicioso esse clima de natal no frio; a cidade totalmente iluminada! Vejo vocês no próximo post com nosso dia no parque e os companheiros mais lindos que poderíamos encontrar!

Beijos,

Luisa.

London day 1

A gente sempre tem um lugar no mundo que nos faz sentir em casa, mesmo quando estamos bem longe dela. O meu é Londres. Só de chegar lá abro um sorriso cheio de boas lembranças e ansioso por novas experiências... E é uma delícia! No dia 20 fui com meu irmão passar alguns dias na nossa cidade preferida. Eu nunca tinha ido nesta época, mas com as folhas caindo e o natal se aproximando eu tive a certeza de que aquele lugar guardava diferentes surpresas a cada estação. Nos divertimos muito, curtimos a nossa primeira viagem sozinhos e nos apaixonamos ainda mais pela Inglaterra.

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No primeiro dia, sábado, visitamos Notting Hill e o Portobello Market, na famosa Portobello Road. São milhares de brechós, barraquinhas, restaurantes e peças antigas que você nunca imaginou que existiriam. Perfeito para quem ama o universo vintage, discos de vinil e outros achados com muita história.

Dei até entrevista para um canal da televisão Polonesa, falando sobre a moda em Londres e o que mais amo no Portobello Market!

Depois seguimos para Chelsea, onde passeamos o resto da tarde pela King's Road. É um lugar que pouca gente costuma visitar, por isso considero perfeito para algumas comprinhas diferenciadas. Além das lojas de decoração mais lindas, lá estão algumas das minhas preferidas, como a Brandy Melville ou a Anthropologie. Eu estava vestindo capa, botas, short e chapéu da Topshop. Nem preciso dizer que é sempre a minha primeira parada quando chego na cidade, rs!

O bairro estava lindo, todo iluminado com as luzes de natal! Muita gente se aconchegando nos aquecedores do lado de fora das lojas e restaurantes... Um cenário delicioso no lugar perfeito!

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Depois de passarmos no hotel, seguimos para o Hyde Park para a inauguração do Winter Wonderland. O festival de inverno acontece todos os anos e foi uma das melhores surpresas da viagem. A entrada é gratuita e a variedade de barraquinhas com todas as gostosuras que você conhece, enorme. Luzes por todos os lados, uma enorme pista de patinação no gelo, shows e música para todos os gostos e idades. Era um espetáculo perfeito do Natal!

 Na volta para casa, ao atravessar a ponte, uma das imagens que sempre guardo no coração... Como é incrível estar em Londres!

Mil beijos e até a próxima,

Luisa.

Mídia Social X Vida Real

As vezes eu faço tanta coisa que fico perdida na hora de parar. Não consigo parar, na verdade. Vou à aula, não presto atenção porque preciso responder emails e editar posts.  Almoço com pressa enquanto confiro o feed do instagram e atualizo a minha foto na esperança de ter recebido mais curtidas. Se consigo passar em casa, abro o computador na mesa sem lembrar que o dia está lindo e eu havia prometido que passearia mais com meus cachorros, quando pudesse. Mas sempre parece que eu nunca posso. É engraçado como me sinto incomodada quando não tenho nada para fazer... A lista de tarefas tem que ser interminável, ou a sensação de inutilidade toma conta do meu corpo inteiro. Logo quando o tempo parece se tornar tesouro cada vez mais raro, insisto em consumi-lo, minuto por minuto.

O fim de semana já estava planejado desde segunda. Precisa ser interessante, não dá para ficar em casa sem fazer nada. Aí não tem post, não tem curtida, não tem "massagem social" no ego. "Só" tem vida, pra valer. Queria me lembrar de esquecer do resto do mundo de vez em quando. Se eu e meu namorado desfrutamos de um jantar delicioso, pode ser ainda mais gostoso guardar só pra gente. Acho lindo que certos momentos existem apenas para algumas pessoas. Sinto "saudade" disso, pois não consigo me lembrar da última vez que esqueci de levar o celular. E você?

Domingo à noite, antes de dormir, você passa o dedo na tela do telefone e instantaneamente começa a comparar a sua vida inteira com algumas fotos do instagram de outra pessoa. A sua cama parecia o melhor lugar do mundo, mas deixa de ser quando você descobre que metade dele está curtindo a praia em St. Barths. Você também está feliz solteira, mas é impossível manter-se assim quando todos os casais do insta têm o relacionamento dos sonhos. "Eles são tão felizes, né?". Adivinhe só: você não sabe! O que você vê da tela do seu celular é apenas - repito - apenas uma vitrine. Reflexo da mania que as pessoas têm de se mostrarem felizes o tempo inteiro nas mídias sociais. Tudo é glamourizado, desde o closet cheio de sapatos, o prazer do #ilovemyjob à dieta sem glúten e lactose. Todo mundo jura que têm a vida perfeita, e a gente acredita.

Eu amo o que faço aqui, porque sinto que é real. Quero levar algo de bom à sua vida, e não imaginar que depois de ler o blog você gostaria de ter a minha. Se você se sente assim, terei que começar a compartilhar minhas caras de choro durante as crises de existência, ou a última briga que tive com o meu namorado. Você conhece o meu blog e não a minha história.

Em algum momento, tornou-se inaceitável que as coisas não estivessem indo tão bem... As pessoas não postam suas crises familiares ou problemas pessoais, mas não significa que estes não estejam presentes, e que você seja a única a enfrenta-los. Como disse o filósofo Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Acho que deveríamos ser mais leves, sabe? Eu estou em busca disso: realidade. A vida é encantadora em suas irregularidades, desafios, altos e baixos. A perfeição pode ser entediante e previsível. É chata e vazia. Qual a graça de se transformar em um produto, um personagem que o seu íntimo mal conhece? Tem charme na originalidade. No diferente, na loucura, nos bastidores. Seria covardia viver só de ensaios para a platéia... A gente não deveria agir esperando ela aplaudir.

Eu quero viver por inteiro, juro que eu quero. Preencher minha alma de momentos antes de lotar a memória do celular. Quero curtir o show e esquecer de filmar. Nem que seja apenas de vez em quando... Eu quero "só" vida pra valer.

Istanbul day 5

Acordei com um misto de alegria e saudade no nosso quinto e último dia de viagem... Tudo havia sido tão rápido e, ao mesmo tempo, intenso! Não queria ir embora... Aquele gostinho de "quero mais" típico dos viajantes me dominou por completo. Já tinha certeza do quanto iria sentir falta de Istambul! Deixamos o hotel por volta das 10 horas, observando e guardando todos os cantos e detalhes na memória.

A manhã começou no Grand Bazaar, pois ainda não havíamos passado por lá. Que lugar gigante... Num piscar de olhos eu já estava perdida entre os corredores e chamados dos turcos-vendedores: "Come on, Madam! We have leather, carpets, porcelain and very good price!". Mesmo sabendo que ali não era nem de longe o lugar ideal para fazer alguns achados, não resisti. E quem resiste a este mundo de tesouros? Era o último dia e, de repente, tudo o que antes parecia dispensável agora precisava caber na minha mala. Começando por estes lustres maravilhosos...

Depois dos lustres (comprei um lindo para o meu quarto!) vieram as bolsas e mochilas, semi-jóias e pashminas. Encontramos em uma loja incrível a mais linda que já vi na vida... Azul turquesa, toda bordada, daquela que merece ser usada para sempre. Um ótimo investimento, direto para o meu look!

Caminhando por Sultanahmet paramos em vários restaurantes e cafés super coloridos, que combinavam com o dia ensolarado. É praticamente uma lei universal: comprar dá muita fome! Logo pensei no restaurante sugerido por uma leitora no instagram, o Palatium. Ele ficava ali pertinho, em cima de um dos lugares mais antigos do mundo... As passagens subterrâneas de Sultanahmet!

Estávamos quase chegando no restaurante, quando ouvimos um dos sons mais típicos de Istambul: os minaretes cantando e chamando os muçulmanos para a reza. Em um instante, no meio de todo o comércio e confusão dos turistas, um grupo de homens, entre eles vendedores, passantes e policiais, forrou seu tapetinho no chão e ali se pôs em oração. Fiquei arrepiada... Lindo ver a fé mover o mundo!

O Palatium foi uma excelente surpresa! Comida maravilhosa, ambiente aconchegante, perfeito para um almoço prolongado no último dia, que não teve a correria dos outros. O que a gente queria era passear, curtir, se deixar levar pelo que aparecesse. E é claro que em Istambul sempre acontece muita coisa!

Foto na caverna embaixo do restaurante... Demais!

Assim que deixamos a caverna, Marina ficou louca quando viu a peça onde são feitos os tapetes... Sempre animados, os turcos se sentiram honrados com a sua curiosidade e nos convidaram para entrar... Em outras palavras, para tomar chá!

Em poucos minutos eles nos contaram toda a história dos "tapetes mágicos"... Como são criados, quanto tempo demoram para ficarem prontos (as vezes, mais de anos!), ou como identificar os que são feitos à mão. Como é simpático, este povo turco! Enquanto tomávamos chá, o dono da loja nos contou toda a sua história de vida, emocionante: quando chegou à Istambul teve que passar dias morando na rua, e hoje, alguns anos depois, era dono de tudo aquilo. "Keep the good things in your heart", ele dizia. Ficou tão encantado com a Marina que praticamente ganhamos os tapetes de presente... Além de uma lembrança muito especial.

A última parada foi no Arasta Bazaar, cheio de peças diferenciadas e especiais. Neste caso, as fotos mostram muito mais:

Nos despedindo do dia, com a gigante Aya Sofya... Só para nos apaixonarmos uma última vez!

Na volta para o hotel, esse souvenir deve ter aparecido propositalmente, depois de ler a minha mente! Já era hora de ir embora, mas parte do meu coração ficaria ali... Na cidade mágica, apaixonante, de sons e aromas contagiantes, cheia de história para contar e um mundo novo a apresentar."I left my heart in Istanbul...".

Istanbul day 4

No nosso quarto dia de viagem, o passeio se estendeu um pouco além de Istanbul. Fugimos do agito da cidade direto para as Prince's Islands, charmoso arquipélago de ilhas que está a uma hora de ferry boat dali, partindo do porto de Kabatas. A maior das nove ilhas, Buyukada, foi a nossa escolhida. Lá, as típicas mansões no alto das colinas e o som das charretes carregadas por cavalos criam uma atmosfera única, que me fez parecer voltar no tempo. Chegamos cedo e a primeira coisa a ser feita era decidir como iríamos conhecer as redondezas: de charrete ou bicicleta. Esqueça o barulho de motores e buzinas... Nas Ilhas Príncipe o trânsito automóvel é proibido e, o silêncio, sagrado!

Quinze minutos depois da nossa chegada, já estávamos em cima da charrete, curtindo a vista maravilhosa das outras ilhas e do lado asiático de Istanbul. As longas subidas do passeio logo fizeram das bicicletas uma idéia não muito atraente... Além disso, eram mais de 100 charretes aguardando na praça a chegada dos turistas, que fazem fila e não se importam de pagar cerca de 70 liras pelo passeio de uma hora.

Eu sou apaixonada por cavalos desde criança. Há algo sobre eles que sempre me encantou... A leveza, elegância e beleza desse animal me tiram o fôlego! Em Buyukada, muitos deles vivem soltos e livres, num cenário completamente diferente de tudo o que eu já vi. Imagine um lugar sem motores... Os cavalos ajudam a entregar o leite de manhã, são carona para muita gente e mais frequentes do que a própria população local. Em nenhum outro lugar do mundo eu avistei um cavalo, cheguei perto para acaricia-lo e, como se não fosse nada extraordinário, o assisti ir embora para dentro da floresta, junto de seus companheiros. Buyukada parou no tempo e preservou o charme que a modernidade esqueceu...

Paramos diversas vezes durante o percurso, para fotografar e admirar a vista panorâmica do alto da ilha. Sabe um lugar que tem o clima que te obriga a relaxar? Estávamos lá! Vi vários grupos de jovens fazendo piquenique no meio da floresta, provavelmente os mesmos que, durante o verão, frequentam as praias super exclusivas da ilha. Lá estão as casas de veraneio das famílias ricas de Istanbul e os cantos onde artistas e escritores brilhantes resolveram se esconder do mundo habitual. Para os turistas, como nós, uma experiência única: 1 hora de barco e 100 anos de volta no tempo. 

Depois de almoçar e passar horas descobrindo as lojinhas locais, chegou a hora de ir embora... De volta ao mundo real, deixamos o silêncio incomum da ilha para encontrar um mundo de gente, taxis e confusão no porto de Istanbul. Back to reality!

No caminho de volta, o último presente: o sol se escondendo atrás da Mesquita Azul... O pôr-do-sol mais lindo que eu já vi!

A ilha de Buyukada está muito bem guardada nos meus sonhos e pensamentos mais distantes.... Casas lindas e gigantes, colinas verde-esmeralda, o mar transparente e muitos cavalos correndo livremente. Dos lugares que já conheci, nunca vi nada que me lembrasse tanto um conto de fadas.

Vejo vocês no nosso quinto e último dia em Istanbul!

Istanbul Day 3

A Basílica de Santa Sofia, em turco, Aya Sofya, foi nossa primeira parada naquele dia. Enquanto Gonca nos apressava para não perdermos o carro que, mais tarde, nos levaria ao lado Asiático da cidade, fiquei perdida entre as luzes que adentravam a abóboda central do monumento, criando uma atmosfera mágica e indescritível. Era difícil acreditar que aquele grandioso símbolo turco fora erguido há mais de 1500 anos, quando Istambul era Constantinopla. Mais tarde, seria convertido em Mesquita, após a conquista de Istambul pelos Otomanos.

Para mim, nenhum lugar representou Istambul tão bem como aquele. Impressionante a mistura de imagens, culturas e religiões... Ali, símbolos cristãos e muçulmanos decoravam, juntos, o "museu" mais incrível da história. A fé de povos diferentes, que há séculos batalharam, se transformou harmoniosamente em um verdadeiro espetáculo visual, e eu mal podia acreditar que estava ali.

Bastante distraídas com a beleza mágica da Aya Sofya, tivemos que correr para encontrar o motorista que nos esperava. Mesmo assim, não resisti e tive que clicar um dos milhares de gatos da cidade, que descansava sem nenhuma preocupação na porta de uma loja qualquer.

A próxima parada foi o suntuoso Palácio Beylerbyi, localizado às margens do Estreito de Bósforo. Simplesmente espetacular! Fiquei impressionada com a sua arquitetura externa, mas não imaginava que uma construção pudesse reunir tanta beleza e riqueza em seu interior. Já visitei Versailles, na França, e alguns outros palácios europeus, mas nada como o Beylerbeyi. Não pude fotografar lá dentro, só consegui um clique disfarçado de um dos salões principais, mas acho que o que mais me encantou foi a combinação do estilo barroco com o oriental, uma festa de cores e detalhes extraordinários.

Depois de algum tempo passeando pelo palácio, chegou a hora de navegar pelo Estreito de Bósforo, que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara - a Ásia à Europa. Preferimos um barco particular, ao invés dos típicos cruzeiros e excursões. O preço é um pouco mais alto, mas paga pelo conforto e tranqüilidade do passeio, indispensável no roteiro de quem vai a Istambul.

Do barco, curtimos o visual inconfundível da cidade: palácios, mesquitas, castelos e algumas das mansões mais caras do mundo. Lembro perfeitamente do momento em que Gonca nos indicou as direções: "Ao seu lado esquerdo está a Europa e, ao lado direito, a Ásia".... Em nenhum outro lugar deste planeta eu poderia ouvir esta frase.

O barco nos deixou à beira de Ortakoy, bairro cheio de lugares bacanas... Entre eles, o restaurante The House Cafe, onde tivemos um almoço delicioso!

Ali pertinho ficava o Çiragan Palace, que praticamente todo mundo já viu nas revistas e fotos de "hotéis mais incríveis do mundo". Eu fui uma dessas pessoas e insisti para que o Palácio estivesse na programação do nosso dia, o que valeu - muito - a pena! O Çiragan foi construído no século XVI e, como vocês devem imaginar, reúne uma coleção de histórias dos sultões do passado. Foi a rede de hotéis Kempinski que restaurou o Palácio e, ao lado dele, construiu o hotel paradisíaco, que compõe a lista dos 100 melhores no planeta... Os restaurantes, jardins, paredes, escadarias, salões e piscinas do hotel parecem ter saído de um sonho!

Nos despedindo da Gonca, nossa guia querida!

No final do roteiro, não consegui resistir ao cansaço e voltei para o hotel... O dia seguinte seria cheio de surpresas, que logo mais vocês irão descobrir! See you soon...

Istanbul Day 2

Fiquei super feliz ao ver que vocês, assim como eu, ficaram deslumbrados com a cidade de Istambul. E vejam só... A viagem está apenas começando! No segundo dia não contamos com a ajuda de Gonca para desbravar os pontos históricos, por isso escolhemos um programa que o mundo inteiro sabe fazer em um só idioma: compras! Percebi que os turcos fazem jus à fama de excepcionais comerciantes - e como! A arte de negociar vem de muitos anos, desde quando o estreito de Bósforo consagrava o início de um dos principais pontos de comércio da história.

Saindo do hotel, pegamos um taxi direto para o Bazar Egípcio, ou Bazar de Especiarias. Antes de adentrar os longos corredores do bazar, fomos convencidas pelo chamado dos minaretes a conhecer mais uma mesquita, a Yeni. Ficamos alguns minutos ali, na área reservada aos turistas, observando as orações daquele povo tão interessante... Todos curvados na direção de Meca: a cidade mais sagrada do mundo para os muçulmanos.

Assim que entrei no Bazar de Especiarias, dois pensamentos foram instantâneos: confusão de gente e um cheiro delicioso de doces e temperos diferentes. O Spice Bazaar não é grande se comparado aos outros; tem apenas dois corredores e cerca de 100 lojas, o que de forma alguma o deixa menos interessante. Foi um dos lugares que eu mais amei... Fiquei envolvida pelo clima animado, comerciantes dedicados e o festival de cores, cheiros e sabores! Um passeio delicioso, para os olhos e, principalmente, para o paladar!

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Logo os vendedores da Bosphorus, primeira loja que entramos, chamaram a nossa atenção. Eles fazem de tudo para vender... Tentam adivinhar nosso país, conversam em Espanhol e até arranham o Português. Entrou, vai experimentar! Eles te oferecem uma overdose de temperos, especiarias, sementes, frutas secas, chás, castanhas e as famosas turkish delights... Deliciosas! Saímos dali com boa parte da mala já preenchida por comida! Mas não são apenas as especiarias turcas que encantam os visitantes do Bazar Egípcio! As famosas pashminas, acessórios e cerâmicas locais também lotam as vitrines... A variedade é surpreendente, mas minha vontade era de levar absolutamente tudo!

Depois de muitas horas dedicadas às compras e pechinchas (lá são quase obrigatórias nos bazares!), mais uma vez atravessamos a ponte de Gálata... Hoje era dia de assistir o lindo pôr do sol de lá e, depois de anoitecer, subir até o alto da torre que leva o mesmo nome. Se os pescadores incansáveis de Istambul permanecem dia e noite na parte de cima da ponte, sobre ela estão os restaurantes de frutos do mar e, é claro, os tradicionais sanduíches de peixe, BALIK (peixe) EKMEK (pão), famosos na culinária turca.

Logo depois de anoitecer, subimos até o topo da Torre de Gálata, uma das mais antigas e importantes do mundo, construída durante o Império Bizantino, por volta do ano 507. Já sofreu diversas desconstruções e reconstruções, mas continua linda... E a vista lá de cima, nem me atrevo a descrever. Melhor deixar as fotos falarem por mim...

 O clima a essa hora já estava super frio... Perfeito para um café aconchegante e muito chocolate quente!

Foi só chegar no hotel para a vontade de sair aparecer de novo! Nem trocamos de roupa para aproveitar a dica de uma leitora do blog, o restaurante Babylonia, na deliciosa Akbiyik Caddesi, cheia de muitos outros lugares incríveis.

Não podia faltar "fried calamari" em todas as refeições! Essa, sem dúvidas, foi a mais gostosa de toda a viagem! Depois do jantar, experimentamos o Narguilé, que todo mundo fuma por lá. A essência era bem gostosa, de maça, e nos divertimos muito com as fotos tentando fazer fumaça!

See you soon, in Istanbul! 

Istanbul Day 1

Chegou a hora de mostrar a vocês tudo sobre os 5 dias que passei em Istambul, o mais interessante dos meus destinos. A cidade turca está dividida em dois continentes e preserva na Europa seu lado histórico em perfeita harmonia com as construções modernas e atuais do lado asiático. Fui embora de Istambul pensando em toda a mistura de costumes, cores e sons da cidade... Percebi porque a chamam de "The Timeless City" - "A cidade eterna!". É mágico observar o encontro do ocidente com o oriente, o surgimento da modernidade e os tesouros históricos estampados em cada canto de um lugar que transborda cultura. Em poucas horas eu já estava completamente apaixonada.

Se for contar tudo de uma vez para vocês, certamente vou me perder nos milhares de detalhes desta viagem, por isso vou começar com o nosso primeiro dia: lindo, ensolarado e cheio de descobertas!

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O dia começou cedo, já que o plano era visitar 3 tesouros da cidade: a Mesquita Azul, o Palácio Topkapi e as Cisternas. Se não fosse pela incrível ajuda da nossa guia, Gonca Kaya, com certeza não teríamos um passeio tão completo. Gonca nos mostrou toda a área de Sultanahmet, a "cidade velha", onde estão muitas das principais atrações históricas de Istambul. Enquanto andávamos pela praça ela nos contava sobre os mais de 1500 anos de alguns dos monumentos ali expostos. A primeira parada foi estratégica: se quiser morrer de amores por Istambul, vá a Mesquita Azul!

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Antes de conhecer o interior da mesquita, nos preparamos para tirar os sapatos e cobrir qualquer parte do corpo que estivesse exposta. Me planejei para usar um vestido longo e dispensar os modelos não tão bonitos oferecidos por eles aos turistas desavisados. Assim que entrei na Blue Mosque,minha reação foi idêntica a de todas as outras pessoas que me acompanhavam... Olhei para cima e suspirei, maravilhada! Tive certeza de que aquela era uma das visões mais bonitas de toda a minha vida. A mistura de tons, o azul predominante, os lustres baixos e a distância de quase 50 metros da cúpula eram surpreendentemente lindos.

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Saindo da Mesquita Azul, encontramos um dos infinitos mercados e bazares da cidade. Como o momento não era de compras, tive que me segurar para não gastar algumas horas ali.

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Logo depois foi a hora de conhecer o palácio de Topkapi, residência dos sultões por 3 séculos. Visitamos as várias salas de exposição com uma infinidade de jóias, tronos, e outros artigos dos sultões, recheados de pedras preciosas; entre elas, um diamante de 86 quilates: surreal! Algumas salas eram também reservadas a preservação de objetos sagrados para os muçulmanos, como a marca do pé do profeta Maomé. A arquitetura do Palácio foi uma das mais lindas que já vi. É incrível a mistura do estilo clássico Europeu com os inconfundíveis tons e formas do oriente...

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Já estávamos com muita fome quando chegou a hora do almoço. Como era a segunda vez da minha tia na cidade, ela nos indicou um restaurante maravilhoso ali pertinho, o Khorasani! Não tenho palavras para descrever os sabores da culinária Turca... Sei que nestes 5 dias todo almoço e jantar era um banquete com as entradas e pratos típicos da região: pão pita, iogurte, baklava, kebab, pilaf de arroz e homus, muito homus!

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O restaurante ficava pertinho das Cisternas, última parada histórica do dia. Antes de viajar, li a obra Inferno, do Dan Brown, cuja história se passa em Florença e em Istambul; na cisternas, inclusive. Assim que cheguei lá só conseguia pensar no livro, em como ele descrevera o lugar, em como eu o imaginava e o que de fato eu estava vendo naquele momento. A antiga reserva de água da cidade era agora visita obrigatória a todos os que passavam pela cidade, além de palco para alguns espetáculos patrocinados e festas de grandes empresas e corporações.

Quando deixamos a escuridão da Cisterna o sol já estava baixinho e a luz mais bonita do dia refletia nas mesquitas e em seus minaretes, que pareciam tocar o céu. Ainda nos restava o entardecer e a noite: disposição era a única coisa que não podia faltar!

Era hora de curtir uma outra parte de Istambul... Deixamos a cidade velha e fomos de trem até o outro lado da ponte, para perto da torre de Gálata. De funicular, subimos até o alto da Istiklal Caddesi, a avenida Istiklal. Ela está entre as mais famosas de Istambul e tem lojas para todos os gostos: desde as grandes Zara, Topshop, Sephora, até as pequenas lojas de artesanato, jóias e outros produtos turcos. A quantidade de gente é impressionante! Em alguns fins de semana chegam a passar três milhões de pessoas por ali.

É claro que fiz minha parada obrigatória na Topshop, mas desta vez ela não foi o foco principal... Estava empolgada para ver de perto os produtos típicos da Turquia, principalmente os sabonetes e toalhas usados no banho turco, o Hamam. No dia anterior, data da nossa chegada, eu já havia experimentado o Hamam na famosa casa de banhos Cemberlitas Hamami, que abriu as portas em 1584. Lá é proibido tirar fotos, mas preciso dizer que foi uma experiência super diferente... As atendentes te levam até a sala quente e ali você parece ter voltado centenas de anos no tempo. Elas nos esfoliam, enxáguam, massageiam e você pode ver toda aquela pele antiga saindo do corpo. Incluímos no pacote uma massagem com óleo depois do banho: divina! Estava tão relaxada quando sai de lá que fiquei ansiosa para comprar todos os produtos usados no banho!

Já era quase uma da manhã quando chegamos ao fim da avenida, mas todas as energias foram recompostas quando começamos a atravessar a ponte de Gálata: não sabia se Istambul era mais linda a noite ou de dia!

E assim acabou o primeiro dia da viagem! Tudo é tão maravilhoso que não sentimos nenhuma vontade de voltar para casa, mas um desejo insaciável de descobrir todos os segredos de uma cidade que, não por acaso, é eterna. Ali, Istambul já ganhara o meu coração.

See you soon!

Ps: Quem estiver de viagem marcada para Istambul "precisa" marcar um dia com a nossa guia Gonca! Ela fala português, é um amor e multiplicou o proveito da viagem! O insta dela: @guiaturca.