You always have a choice

Ontem eu tive o enorme prazer de ver meu nome na lista dos aprovados na OAB. Apesar de não ter sido a mais emocionante das conquistas, foi impossível não sentir alegria por mais uma etapa cumprida: "Ok, agora eu não preciso mais pensar nisso (e nem passar horas grifando legislações trabalhistas - isso realmente me deixou muito feliz, rs!)". E desde então tenho pensado nisso... Na minha escolha de não seguir a carreira jurídica, e na felicidade que senti ao me intitular "advogada", mesmo sabendo que talvez nunca vá redigir ou assinar uma peça processual na vida.

Eu fiz uma escolha, e não foi a mais fácil. É maravilhoso, eu sei, ter a oportunidade de escolher. Mas por incrível que pareça, também pode ser um pouco perturbador, ou até paralisante. Vamos supor que a vida inteira eu tenha sonhado com uma carreira na advocacia, me dedicando à este sonho todos os dias. Passar no exame da ordem seria extraordinário, e certamente iria garantir uma satisfação constante, até que um novo obstáculo a ser superado surgisse. Mas sinto apenas conforto.

Eu nunca soube o que iria fazer. Meus pais sempre me encorajaram dizendo que "eu poderia ser o que quisesse" e, nossa, isso pode ser realmente assustador. Imagine se você tivesse que escolher agora, entre as milhares de profissões do mundo, só uma para chamar de sua? Mesmo que você escolha uma pela qual sempre foi apaixonado, a inúmera quantidade de opções deixadas de lado, em algum momento vai lhe trazer certa dúvida.

Ah, essa vida cheia de escolhas. Seria muito mais fácil se todo mundo já nascesse pré-determinado a seguir um caminho: objetivos pontuais, conquistas certeiras, metas e planejamentos a todo tempo. Mas esse mundo lutou muito pela liberdade e, apesar de ser um pouco mais complicado, vale a pena tentar. Sim, tentar. Eu não sabia que seria empresária. Há um ano atrás, era "só" blogueira. Hoje estou tentando consolidar a minha marca, e fazê-la crescer até certo ponto em que eu possa reconhecer: "fiz a escolha certa". E, quer saber? Nem vou esperar até lá.

Prefiro pensar que a minha escolha foi certa só por ter sido feita. Que, diante do leque de opções e profissões ao qual somos expostos, ter a coragem e a determinação de escolher - e se dedicar a uma, já é uma conquista. É como se ver diante de uma vitrine com centenas de sabores de sorvete e escolher provar o de chocolate pensando que o de limão deve ser muito bom também. Todos são bons, na verdade. Escolhas e caminhos sempre têm seus prós e contras, suas mil possibilidades. E são todas válidas... Mesmo que em certo momento você perceba que fez a escolha errada, no fim das contas foi  ela quem te mostrou qual era a certa.

Eu sei o quanto é assustador, ter que decidir. Mas é um privilégio não precisar que alguém escolha por nós. Ser livre também é ser corajoso. Então, mesmo que você não tenha tanta certeza... Mesmo que, na balança, os caminhos diferentes se equilibrem... E mesmo que, no fundo, você não saiba o que fazer, faça alguma coisa. Não seja só o que acontece com você. Não fique parado com medo das inúmeras possibilidades, assistindo a vida acontecer.  E, quando for escolher, faça com paixão. Aí sempre vai valer a pena.

Mil beijos,

Luisa.

TCC: Moda x Sociedade de Consumo

Hoje vou contar a vocês um pouco sobre a minha monografia. Prefiro contar, mesmo, do que só compartilhar aqui o texto completo em pdf e nas normas da ABNT. Acho que todos concordamos que estas formalidades não são lá as mais interessantes. Apesar de ter cursado Direito, nunca me senti muito empolgada com legislações, jurisprudências e discussões jurídicas, no geral. Tive a sorte de escolher o meu tema a partir da sociologia - essa sim, me fascina.

Falei de moda e da sua relação com a sociedade de consumo, um tema que permite inúmeras abordagens, apesar de não ser dos mais presentes nas pesquisas acadêmicas. Comecei o trabalho afirmando que, ao caracterizar a sociedade contemporânea, não encontramos termo mais adequado do que "Sociedade de Consumo". Não falo do consumo natural e saudável, mas de sua dimensão ostentatória e exagerada - um sistema de reciclagens e circularidade vazia.

Neste contexto, a moda se insere como eixo normativo, ou expressão máxima do consumo. Ela estabelece vínculos entre o mercado e a sociedade, determinando os produtos que representam a suposta satisfação dos desejos pessoais, sucesso e felicidade do consumidor.

Como diria Baudrillard, grande responsável pela base teórica do meu trabalho, não consumimos coisas, mas "signos" - associações simbólicas da mercadoria. Em outras palavras, não consumimos um casaco pela utilidade que o mesmo nos oferece, qual seja, nos proteger do frio, mas pela marca que possui, pelo status que ele representa ou pela felicidade que supostamente nos proporciona. Nas palavras do mesmo autor, a moda "[...] constitui o desespero de que nada dure." - ela retira o interesse do que não é novo - você precisa se reciclar sempre.

Falando de Bauman, outro teórico que muito me ensinou sobre o tema, a perseguição pela felicidade parece ser o bem mais valioso da sociedade de consumo. Com a economia voraz e o ritmo acelerado com que os produtos entram e saem de moda, a insatisfação é contínua. A gente sempre precisa ficar um pouco mais feliz, "comprando algo novo". Vive-se a era do prazer efêmero.

Já Bourdieu, ao estudar a Alta Costura, constata que o termo "grife" funciona como a assinatura de um pintor consagrado, que atribui valor imediato à um produto. Não por sua funcionalidade ou pela riqueza de seus materiais, mas pelo símbolo de status e poder que representa.

De modo a relacionar as reflexões destes autores à realidade em que vivemos, fiz uma pesquisa acadêmica a respeito do tema. Apesar de não ser possível trabalhar com generalizações, os dados obtidos a partir do questionário (disponibilizado aqui no site, rs!) mostram que diversas posições dos autores estudados durante o trabalho são verdades na atualidade. 

São muitas as mulheres que desejam uma peça não em razão de suas características materiais, mas pela imagem da mulher/modelo perfeita e padronizada à qual ela está associada. As tendências de moda incentivam o desejo pelo consumo sempre que surge uma novidade no mercado: tudo tem data de validade afixada.

Na minha opinião, a parte mais interessante do trabalho é aquela em que faço uma relação da entrevista realizada com modelos aos pensamentos dos teóricos da sociedade de consumo. Percebe-se que a própria modelo se sente como um produto também, e deve se comportar de acordo com as exigências dos padrões de moda. Como uma delas afirmou, muitas meninas acabam por exercer o papel de personagens ao invés de agirem de acordo com a própria personalidade (Agradecimentos muito especiais à todas as meninas que me ajudaram com esta pesquisa. Não seria possível concluir o trabalho sem a participação de vocês.).

Sei que as conclusões do trabalho são bastante pessimistas em relação à moda, e não constituem a minha opinião pessoal. Tenho certeza de que esta é uma realidade, mas acredito que a moda, como fenômeno que nos acompanha à tantos séculos não pode se resumir apenas à uma ferramenta da sociedade de consumo. Acredito na moda como forma de expressão social e cultural das pessoas, em épocas diferentes. Acredito no consumo de moda saudável, na reciclagem das peças de nosso próprio guarda-roupas, e nas criações de artistas que possuem o talento de traduzir personalidade em roupa.

Se você curtiu o tema e quer se aprofundar ainda mais nele, pode conferir o meu trabalho completo neste link. Eu amo (sempre que posso) dividir o que me interessa com vocês. Não seria diferente desta vez!

Aguardo muitos comentários, opiniões, críticas ou o que quer que vocês desejem expressar.

Saudades!

Beijos,

Luisa.

Sobre o que a gente é quando cresce.

Já faz tempo quando, com meus 10 anos de idade, eu disse que seria veterinária quando crescesse. Os animais eram o que eu mais amava no mundo. Acabei desistindo pois não gostava da idéia de operar os bichinhos, e sabia que alguém faria o trabalho muito melhor do que eu. Jornalismo, advocacia e publicidade foram as outras carreiras que já me passaram pela cabeça. Nunca tive certeza sobre nenhuma delas. Difícil escolher o que a gente quer fazer para "ganhar a vida". Mais difícil ainda: ter coragem para fugir ao que  acham que "devemos" fazer da nossa vida.

Hoje, aos 23 anos, se você me perguntar o que me trouxe até aqui, terei que pensar por bons instantes. Os meus diários da infância, a paixão por fotografia, a mania de querer viver os meus sonhos... Ou talvez uma seqüência de fatos arranjados pelas pessoas, lugares e experiências que me tocaram a alma, daquele jeito que a gente sabe que não pode dar errado.

Não me lembro de ter respondido nenhum dos questionários cheios de possibilidades "do que você quer ser quando crescer". Os sonhos não cabiam na resposta, e ainda faltava muito para ser crescida. Eu sabia que queria ter um trabalho que me fizesse feliz, viajar o mundo e ter uma agenda lotada - e organizada - de compromissos. Eu queria ser importante, e só depois descobri que a única coisa que importava viria com o tempo: experiência.

A gente tem essa mania de querer ter tudo resolvido antes do tempo. Achamos que a descoberta do que amamos será o fim de nossas buscas, quando na verdade é apenas o começo de nossas aventuras. Ninguém deveria ter que saber o que quer ser quando crescer... Na minha opinião, quem tem a resposta é a vida. À nós só cabe experimentar - do jeito mais gostoso possível.

Se eu soubesse desde o princípio o que fazer com o meu tempo, certamente o caminho seria mais curto e muito menos surpreendente, empolgante e prazeroso. Eu tive medo, e entendi que se preocupar demais é centralizar a energia no que a gente não quer que aconteça. Duvidei do que eu poderia ser, mas os resultados me mostraram que eu só precisava fazer e acreditar para ter o que queria. A determinação é muito diferente da prepotência. Você reconhece seu valor, percebe que é o único responsável na busca de seus desejos e cresce com humildade.

Alguns dias você olha para trás e é engraçado pensar que você não sabia, mas nasceu para ser o que é. Não existe tempo certo para isso, pois a gente só atrai o que está pronto para viver. É como buscar um amor, que só vai nos encontrar quando estivermos distraídos. Eu ainda consigo me ver há um ano atrás, um pouco perdida nos objetivos da minha vida, sem saber o que fazer com o meu tempo. Não imaginava que hoje não teria tempo para pensar nisso. A realização me consome, e empreender é o que me realiza.

E você, tem sonhado com o que? Talvez possa lhe servir um pouco do que aprendi, quando digo: não se aflija. Comece, tente, experimente, faça o novo. Não se compare com os outros, pois ninguém foi único tentando se espelhar no resto do mundo. Acrescente o que deu errado ao seu potencial e experiência. Faça o que você ama, e não o que você acha que deveria amar. Paixão é essência e a gente não escolhe.

Tento não me esquecer de curtir o meu presente, que passa tão rápido quando a gente só quer mais. Sonhar é sempre bom, mas mais gostoso ainda é viver a realidade que a gente sempre quis. É crescer querendo ser cada vez mais o que, hoje, somos.

Início: a minha marca

Antes de começar a ler este post, pense um pouco em tudo o que você já viu por aqui. Se é leitora deste espaço há um bom tempo, certamente me conhece e, quem sabe, já até lembrou de mim com fotos, roupas e histórias que encontrou por seus caminhos. A gente se entende, e isso me faz muito feliz. Gosto de compartilhar o que eu amo com vocês e, nossa... Como esperei para falar deste momento. É bem difícil, na verdade, esclarecer tudo o que tem acontecido nos limites de um post, mas acho que pela nossa história nem vou precisar me esforçar tanto.

Eu sempre quis trabalhar feliz. Pertenço à geração que pretende curtir todo o percurso, ao invés de esperar para aproveitar o conforto no final do caminho. Conforto, na minha concepção, é rotina que preenche o coração. Criar uma marca já passou pela minha cabeça algumas vezes, mas achava óbvio demais. Me perdia nas incontáveis possibilidades de nomes, conceitos, temas e começos. E dali nada se construía. Com o tempo, vocês me ajudaram a encontrar e reconhecer o que foi berço de tudo: a minha identidade. Toda vez que uma leitora me mandava uma roupa que achou a minha cara, ou tirava uma foto ao "meu estilo", eu imaginava o que a fez reconhecer, ali, um pouco de mim. É incrível quando a gente consegue transmitir exatamente o que é. De certa forma, tudo aquilo que é verdadeiro assume o potencial de se tornar inspirador.

Foi natural, inevitável e muito especial, como a minha marca se construiu. Conheci as pessoas certas, nos momentos exatos, e quando isso acontece a gente tem ainda mais certeza do que está fazendo. Se tenho algo a oferecer, é a minha eterna gratidão àqueles que estão ao meu lado desde o início deste projeto. Nada como ter por perto quem nos faz acreditar na gente, e sempre direciona o caminho a nossa frente.

Faz aproximadamente 6 meses que eu não durmo ou acordo sem pensar e sonhar com tudo o que está acontecendo. É extremamente empolgante e desafiador inventar o conceito de uma coleção, acompanhar toda a sua criação e esperar para ver o que vai acontecer... O que vocês vão achar. Eu sempre quis fazer isso, mesmo sem saber desde o início. Quem curte empreendedorismo sabe que não tem nada como fazer do nosso jeito. É muito difícil, sim, e os problemas aparecem todos os dias para nos tirar o descanso. Mas no meio de toda a loucura, atrasos, imprevistos e riscos, o elogio de alguém que amou uma peça me arrepia o corpo inteiro. Nestes momentos eu me conforto e nem me importo com as noites sem dormir: só quero mais.

Me dediquei por inteiro a cada foto, mensagem e detalhe do e-commerce da marca que vai ao ar nesta semana, e confesso que me pego viajando, imaginando a reação de cada uma de vocês no primeiro acesso. Espero que acompanhe um sorriso, rs! Neste sábado, tive que segurar os olhos cheios d'água quando vi as meninas provando as peças e planejando a data certa para usarem, porque vestiu bem e elas amaram muito. Vai ser incrível ver cada uma delas acrescentando um pouco do próprio estilo à nova peça que adquiriram.

Estou muito feliz, de verdade. Mesmo com todo esse turbilhão de emoções que envolvem o lançamento, em meio a falta de tempo, meu coração insiste em repetir: "aproveite, porque está acontecendo". E obedeço, sem resistir, com um pensamento em mente: quero aproveitar para sempre.

ps: me desculpem a ausência nestas semanas recentes, isso não vai mais acontecer. O início é sempre loucura, mas aos poucos a gente se acostuma!

Mídia Social X Vida Real

As vezes eu faço tanta coisa que fico perdida na hora de parar. Não consigo parar, na verdade. Vou à aula, não presto atenção porque preciso responder emails e editar posts.  Almoço com pressa enquanto confiro o feed do instagram e atualizo a minha foto na esperança de ter recebido mais curtidas. Se consigo passar em casa, abro o computador na mesa sem lembrar que o dia está lindo e eu havia prometido que passearia mais com meus cachorros, quando pudesse. Mas sempre parece que eu nunca posso. É engraçado como me sinto incomodada quando não tenho nada para fazer... A lista de tarefas tem que ser interminável, ou a sensação de inutilidade toma conta do meu corpo inteiro. Logo quando o tempo parece se tornar tesouro cada vez mais raro, insisto em consumi-lo, minuto por minuto.

O fim de semana já estava planejado desde segunda. Precisa ser interessante, não dá para ficar em casa sem fazer nada. Aí não tem post, não tem curtida, não tem "massagem social" no ego. "Só" tem vida, pra valer. Queria me lembrar de esquecer do resto do mundo de vez em quando. Se eu e meu namorado desfrutamos de um jantar delicioso, pode ser ainda mais gostoso guardar só pra gente. Acho lindo que certos momentos existem apenas para algumas pessoas. Sinto "saudade" disso, pois não consigo me lembrar da última vez que esqueci de levar o celular. E você?

Domingo à noite, antes de dormir, você passa o dedo na tela do telefone e instantaneamente começa a comparar a sua vida inteira com algumas fotos do instagram de outra pessoa. A sua cama parecia o melhor lugar do mundo, mas deixa de ser quando você descobre que metade dele está curtindo a praia em St. Barths. Você também está feliz solteira, mas é impossível manter-se assim quando todos os casais do insta têm o relacionamento dos sonhos. "Eles são tão felizes, né?". Adivinhe só: você não sabe! O que você vê da tela do seu celular é apenas - repito - apenas uma vitrine. Reflexo da mania que as pessoas têm de se mostrarem felizes o tempo inteiro nas mídias sociais. Tudo é glamourizado, desde o closet cheio de sapatos, o prazer do #ilovemyjob à dieta sem glúten e lactose. Todo mundo jura que têm a vida perfeita, e a gente acredita.

Eu amo o que faço aqui, porque sinto que é real. Quero levar algo de bom à sua vida, e não imaginar que depois de ler o blog você gostaria de ter a minha. Se você se sente assim, terei que começar a compartilhar minhas caras de choro durante as crises de existência, ou a última briga que tive com o meu namorado. Você conhece o meu blog e não a minha história.

Em algum momento, tornou-se inaceitável que as coisas não estivessem indo tão bem... As pessoas não postam suas crises familiares ou problemas pessoais, mas não significa que estes não estejam presentes, e que você seja a única a enfrenta-los. Como disse o filósofo Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Acho que deveríamos ser mais leves, sabe? Eu estou em busca disso: realidade. A vida é encantadora em suas irregularidades, desafios, altos e baixos. A perfeição pode ser entediante e previsível. É chata e vazia. Qual a graça de se transformar em um produto, um personagem que o seu íntimo mal conhece? Tem charme na originalidade. No diferente, na loucura, nos bastidores. Seria covardia viver só de ensaios para a platéia... A gente não deveria agir esperando ela aplaudir.

Eu quero viver por inteiro, juro que eu quero. Preencher minha alma de momentos antes de lotar a memória do celular. Quero curtir o show e esquecer de filmar. Nem que seja apenas de vez em quando... Eu quero "só" vida pra valer.