Nice, Verão 2018 - L'été est arrivé

Quando cheguei à Nice, ela fervia de calor. Assim como o meu coração: mas ele era de vontade de viver. Não conheço um despertar para a alma mais intenso do que esse. Chegar a um lugar ainda inexplorado por você e imaginar todas as aventuras que vai viver ali.

Fui para a França porque sou louca pelo país. A cultura, o sotaque, o humor, le bonheur. Decidi fazer um curso de francês com a duração de 4 semanas na France Langue (eu amei!) e com a escola mesmo consegui um apartamento simples e pequenino, que foi tão meu! O nome da residência estudantil era Azur Campus 2 e me lembro perfeitamente de pesquisa-la deste mesmo computador onde escrevo agora, desvendando todos os cantos e ângulos que o google maps me oferecia.

 Do meu balcon, pra rue Assalit.

Do meu balcon, pra rue Assalit.

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A rotina em Nice era tão prazerosa que nem sei se deveria ter esse nome. Eu acordava cedo todos os dias para as aulas da manhã, que duravam 4 horas. Após o almoço eu estava livre para ir à praia, explorar a cidade, descobrir um novo marché, visitar as inúmeras cidades vizinhas pela côte d’azur ou só curtir o meu próprio apéro (tipo um happy hour dos franceses) na varanda do apartamento.

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 Acima: Pós-praia a caminho do mercado | Abaixo: registros da primeira segunda-feira a tarde, explorando a  Vieux Nice  (parte antiga e histórica da cidade)

Acima: Pós-praia a caminho do mercado | Abaixo: registros da primeira segunda-feira a tarde, explorando a Vieux Nice (parte antiga e histórica da cidade)

 As coloridas ruas da cidade antiga. Até as roupas no varal pareciam estrategicamente posicionadas.

As coloridas ruas da cidade antiga. Até as roupas no varal pareciam estrategicamente posicionadas.

Na primeira vez que me perdi pela cidade, descobri a feira de antiguidades no Cours Saleya, que acontece todas as segundas. Nos outros dias, o movimentado quarteirão abriga um lindo mercado de flores e as melhores delícias da França: frutas e legumes frescos, temperos, cogumelos, azeitonas, queijos, pães…

 Acima: Achados no marché antique | Abaixo: eu e Miranda explorando o mercado após um petit dejeuner especial.

Acima: Achados no marché antique | Abaixo: eu e Miranda explorando o mercado após um petit dejeuner especial.

 Mesmo em meio a tantas outras perdições, eu sempre me rendia ao Pain au Chocolat :)

Mesmo em meio a tantas outras perdições, eu sempre me rendia ao Pain au Chocolat :)

 Minha loja preferida, na Rue de la Préfecture, 3. Não foram poucas as visitas a este lugar.

Minha loja preferida, na Rue de la Préfecture, 3. Não foram poucas as visitas a este lugar.

 Quase todas as manhãs eu buscava meu café nesta boulangerie, em frente à estação do tram (trem de superfície da cidade) mais perto da escola.

Quase todas as manhãs eu buscava meu café nesta boulangerie, em frente à estação do tram (trem de superfície da cidade) mais perto da escola.

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O meu verão em Nice foi feito de dias calmos. O tempo realmente não tinha pressa alguma em passar. Curti a minha própria companhia nos terraços de cafés e na tranquilidade do meu balcon, com a mesinha cheia de delícias da epicerie da esquina. Todo dia tinha queijo, geleia e um pouquinho de rosé. A pele sempre ardida no lençol, pelo excesso de sol. Meus cabelos só conheciam a água do mar. Minhas mãos escreviam no diário histórias que poderiam ser roteiro de um filme bonito. Meu coração, até hoje, morre de saudade.

Londres

Minha cidade no mundo, que delícia chegar lá. No primeiro dia fizemos aquele passeio geral. Encontrei com a Ju, minha amiga que estava morando por lá. Fomos assistir a uma palestra da escola dela de Fashion Business e Retail Matters. Fomos ao Neal's Yard também, ali pertinho de Covent Garden. Sempre nos hospedamos nessa região. Me sinto em casa.

Que ressaca. Mas não dá pra sofrer por isso em Londres. Fomos cedo ao Spitafields Market, que é muito gostoso no domingo. Almoçamos e ficamos horas por lá, fuçando as barraquinhas e comprando souvenires que seriam, mais tarde, socados na mala. Consegui um mini cochilo antes de encontrar a Ju em um bar: The Prince. 

Última voltinha, últimas comprinhas. Londres: é só ligar que eu volto <3

Caminhamos do hotel até o Borough Market. Imperdível. Almoçamos por lá, como era de se esperar. Voltei andando por Bankside, o lado sul do Tâmisa. O dia estava incrível e fiz fotos que me levam pra lá instantaneamente sempre que eu as vejo. Eu e Arthur fomos a uma exposição de Picasso no Tate Modern e depois fui encontrar meu pai para um café com marshmallow. De noite, sai com a Ju e alguns amigos que estavam na cidade. Fomos à uma boate incrível em Chelsea: Maggie's. Dançamos muito. Era só flashback.

Visitamos o British Museum e passamos quase o dia inteiro lá dentro. No final da tarde, fizemos um piquenique no Hyde Park e depois fomos ao Kensington Palace.

O dia amanheceu muito quente. Delicioso. Céu azul em Londres. Fui para Notting Hill encontrar a Ju no apê dela e Maressa, minha amiga-fotógrafa que mora na cidade há anos. Fotografamos a campanha "Bon Voyage" da marca. Olha aqui como ficou :) 

Copenhagen

Foi a nossa última parada. Desembarcamos e era até estranho dormir em terra firme, sem o leve balanço. Copenhagen é uma cidade perfeita. Quem mora lá pode até dizer que não, mas eu achei. Nunca vi um lugar tão organizado, limpo, conectado. Nos hospedamos ali no centro, perto do Tivoli. No primeiro dia, fomos andando até Nyhavn: o cartão-postal. Colorido lindo! Trocamos os Euros por Coroas Dinamarquesas e achamos tudo bem caro. Passeamos muito, jantamos noodles da barraquinha de rua e foi delicioso. Voltamos para o hotel e esperamos o meu irmão chegar do Brasil.

Matamos as saudades do Arthur. Logo cedo voltamos ao Nyhavn pois ele ainda não havia conhecido. Passamos pelo Palácio de Christiansborg e vimos os cavalos brancos da família real: cena de filme mesmo! Depois de uma cervejinha em um dos charmosas bares a beira do canal, andamos até o Christianshavns Kanal, em outra parte da cidade. Eu e Arthur ainda seguimos para o Castelo Rosenborg e depois para Christiania, a "cidade livre" - incrível e diferente de tudo o que eu já vi. Encontramos o meu pai no hotel e saímos para jantar. Noodles de novo :)

Começamos o dia com uma visita ao mercado Torvehallerne. Fiquei triste porque tinha acabado de tomar o café da manhã: não tinha fome para comer tudo o que eu queria. Finalmente vi os famosos smørrebrød - típico sanduíche da Dinamarca. Fiz a foto que se tornou uma das preferidas da minha vida, eba! A caminho de algum ponto turístico, nos deparamos com uma manifestação e paramos para observar. Os organizadores nos entregaram placas: seguramos e acompanhamos as pessoas cantando o hino da dinamarca (não cantamos, lógico). Foi muito divertido :)

Visitei o museu Ny Carlsberg Glyptotek: mais bonito que já conheci. Depois andei pelas ruas mais charmosas que encontrei na cidade: Laederstraede e Gothersgade. A primeira é muito imperdível.  Cafés e Lojas bacanas por todos os lados. No final do dia, conhecemos a Round Towel. Observatório mais antigo ainda em atividade na Europa. Foi o ponto turístico que mais amamos, com história bem interessante e a vista mais bonita de Copenhagen!

Brugge / Kiel

Brugge é uma delicadeza. Parece que a cidade conta uma história a cada esquina. Linda, pitoresca, romântica. Fiquei com vontade de voltar com um amor. Andar pelas suas ruas já é o suficiente para um dia perfeito. Adicione: queijo, cerveja belga e chocolate. Mesmo sem o amor, eu volto. É certo :)

Conheci a Alemanha! Finalmente. Era domingo e as ruas estavam animadas. Compramos mais cerveja e achamos engraçado ver na praça mesas gigantes de mulheres e outras só de homens. O papo deles não se misturava. Ao ir embora, navegamos pelo fiorde pela primeira vez, rumo ao Mar Báltico. O navio deslizava, e os veleiros também. Navegar nunca foi tão lindo. 

Southampton / Le Havre

A única coisa que eu sabia sobre Southampton é que, de lá, o Titanic havia partido. E eu só quis saber disso. Visitamos o museu que conta toda a história do navio e do naufrágio: teria ficado muitas horas descobrindo todos os detalhes, mas meu pai não aguentou nem duas. A cidade é gelada e um pouco desanimada.. Ainda não havia visto a Inglaterra assim. Visitamos a "Round Table" do Rei Arthur, em Winchester. Descobrimos que tudo não passava de uma lenda. 

A França. Já cheguei esperançosa. Como ela me encanta! Logo descobrimos um mercado com o melhor jus d'orange que já tomei na vida. Compramos queijos, temperos, azeites. Babamos as vitrines cheias de delícias. Encontrei um café fotogênico (todos são por lá) e fiz as fotos que eu tanto queria. Querendo ser francesa. Na hora do almoço, queria sushi: o atendente me disse algo em francês que não entendi (apesar do esforço). Percebi que não poderia comer no restaurante. Levei minha sacola com o almoço embora e achei um banco na praça para almoçar. Fui caminhando até o museu de arte moderna. Passei algumas horas por lá. Na volta para o porto, antes de embarcar no navio, busquei uma livraria: achei o livro que tanto queria, da Jeanne Damas. Adoro ela. 

Lisboa / Vigo

Pena que foi tão rapidinho. Fui embora precisando voltar! Logo que chegamos fomos a Sintra e, depois do almoço (muitos bolinhos de bacalhau e doces portugueses por lá) passeamos pelo Chiado. 

Em Vigo também foi lindo. Porto marítimo super movimentado, mas era domingo. Então teve cerveja na praça, todas as lojas fechadas, museu com exposição do Júlio Verne e a melhor refeição da viagem: ostras fresquinhas com limão de entrada, um arroz de mariscos inesquecível e panqueca com doce de leite de sobremesa. Meu cabelo tava tão oleoso, nem tirei muitas fotos. Aproveitei pra me embriagar e não me importar. Comi muito :)

Ponta Delgada

Foi a primeira vez que visitei os Açores. Encantadores. Tivemos um encontro lindo com o Amylka, nosso motorista. Foi tanta sintonia que choramos ao nos despedir. Ele nos levou à Lagoa de Fogo, lá no topo da ilha. Estonteante! Depois de lá, seguimos para Ribeira Grande, do outro lado da ilha. Matei a vontade dos doces portugueses com um travesseiro delicioso. E refrigerante de maracujá, bem típico de lá. Quero voltar :)

Santa Cruz de Tenerife

Nossa primeira parada após os 5 dias de travessia pelo Atlântico foi Santa Cruz de Tenerife. Já visitei a cidade, nas Ilhas Canárias, em outras viagens. Da última vez devia ter uns 16 anos. Na época, comprei uma câmera das mais novas - lá é ótimo porque não tem taxa. Nunca mais vi aquelas fotos. Dessa vez comprei só dois filmes, mesmo. Achei bem mais legal :)

Serra do Caparaó

Eu amo viajar pelo Espírito Santo, e sempre que conheço um de seus cantos tenho mais certeza de que são muitos os lugares incríveis para se descobrir por aqui.

Há algumas semanas fui conhecer a Serra do Caparaó, região serrana que abriga um dos pontos mais altos do país: o famoso pico da Bandeira. Quando criança eu ouvi muito falar de lá, mas nunca encarei as excursões da escola, rs.

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Fiquei duas noites na pousada Villa Januária, localizada na região de Pedra Menina - em Dores do Rio Preto: um dos principais pontos de partida para quem quer visitar o parque nacional. 

Me encantei com todo o charme e estrutura da pousada, linda! Os quartos ficam em um casarão enorme do século XX - todo restaurado. O café da manhã é especial - aqueles com cara de casa de vó, sabe? Super caseiro e delicioso. O próprio café é produzido ali mesmo, na região.

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Também visitei a região do Vale Encantado, que fica dentro do parque. Banho muito, muito gelado e uma vista de tirar o fôlego!

Don't Stop This Train

Um dia desses eu reinseri na minha playlist uma música que amo muito. Impressionante como, mesmo depois de muito tempo sem nenhum contato, as músicas que já nos tocaram sempre tocam um acorde que faz a gente sentir tudo de novo. A música se chama "Stop This Train", e é do John Mayer. 

"Stop This Train" é um apelo ao tempo. Acho que todo mundo, ao menos algumas vezes na vida, já pediu pra ele parar. Assusta, sabe? Acontece. Nesses últimos meses a minha mãe transformou as nossas fitas cassete em DVD e foi surreal assistir. Fiquei pensando que a nossa geração deve ser uma das primeiras a se ver, não ao vivo, mas a cores, ser criança. Me fez sentir a vida acontecendo. Ao assistir todos aqueles momentos, eu não vivi, mas senti alguns pela primeira vez.

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Já nasci com um canto de nostalgia no peito. Até pouco tempo atrás era uma delícia fazer aniversário, hoje ando me assustando um pouco. Tenho medo de cenários, contextos e personagens perfeitos, indo embora. Como assim eles partem sem dizer aonde vão? Sem nos dar a chance de dizer que "não, ainda não vivi o suficiente com você". Mas quem é que vai viver? Por culpa do tempo, o suficiente é feito de momentos. E é assim que a gente aprende a amar.

Sabe; os dias em um ano parecem muitos, mas quantos foram os que eternizamos? Sentimos o privilégio de estarmos vivos quando percebemos que a vida nos dá muitos dias, mas nunca os mesmos. Eternizar é abraçar momentos com todo o sentimento que merecem. É parar e perceber que, em um exato instante, ninguém poderia ser mais feliz do que você. É agradecer. Transbordar risos e lágrimas que contam ao seu mundo o que aconteceu. Eternizar é conhecer o seu eu. Dançar aquela música preferida e olhar pra vida com respeito e delicadeza. Transformar um instante qualquer em lembrança, cuidar com carinho de quem te viu criança, e hoje é mais frágil que você.

Um dia a gente passa a entender. Não dá pra "parar o trem", mas ele sempre acaba passando depressa demais, quando se olha pra trás. Hoje eu guardo uma saudade gigante de todos os dias pelos quais o trem já passou. Guardo também no peito a certeza de que nada é perfeito, porque se fosse não haveria história. Sinto saudade, mas mais forte é a vontade. Preciso estar no trem, pra viver ainda um "tanto" que nem cabe em uma expressão. Preciso desse monte de emoção que ainda está guardado para mim. Então, que seja assim... Pode passar, trem. Não vou pedir para você parar. Vou eternizar alguns olhares, e me deixar levar. Serei um conjunto de instantes guardados por onde quer que eu vá. E será eterno, o que for amor.

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Declaração para o Verão

Sou metida à amante de frio. Gosto de lareira, neve e roupas quentes que ficam ainda mais lindas sobrepostas. Mas, os primeiros dias deste ano de 2017 me fizeram lembrar: calor de verão é muito - infinitamente mais - do que sol escaldante. Acho até que esse sol deveria parar de castigar a rotina do povo na calçada e lhes dar por direito - e só porque é verão - alguns dias na beira da praia. Deveria mesmo, ser condição da estação. Poucas manhãs acordando e olhando para o mar já me fizeram acreditar que o verão é sim, a época mais mágica desse nosso mundo. Pele ardida no lençol e despertar sem alarme. Mergulhos e furos nas ondas do mar imenso, gelado e verdinho. Banho fresco de ducha com os pés na grama. Barulho de rede e cheiro de almoço saindo quentinho. Me permitam coloca-las entre as melhores sensações da vida.

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Verão; sei lá porquê,  eu precisei me declarar para você. Pode ter sido um som novo e gostoso que ouvi. Ou os dias de verões passados que "perdi", me preocupando demais. Senti saudade da sua paz, e de como o meu coração tantas vezes diz: no verão eu só consigo ser feliz. Foram as vozes de tanta gente que eu amo reunidas, a alma que ficou mais aquecida. Foi o simples "perceber" que não é sempre que a gente se vê.

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E como se não bastasse ser verão, também é Janeiro. O mês que sempre vêm primeiro numa dessas vindas me trouxe junto, pra esse mundo. Não podem me faltar motivos, ou sorrisos, de quem quer se declarar. E lembrar de olhar mais vezes "como tá lindo lá fora". Deixar a hora passar, junto com a brisa no final da tarde. Viver momentos de verdade, e dias em que, o que há de poesia em nós, acontece. Andar descalça, lanchar de noite na calçada da praça.

E apesar de "só" ter um mês de verão, esse ano eu escolhi guarda-lo no meu coração. Pra ver o dia raiar mais lindo o ano inteiro.

Que seja feliz e quente - não só de calor - a sua estação!

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You always have a choice

Ontem eu tive o enorme prazer de ver meu nome na lista dos aprovados na OAB. Apesar de não ter sido a mais emocionante das conquistas, foi impossível não sentir alegria por mais uma etapa cumprida: "Ok, agora eu não preciso mais pensar nisso (e nem passar horas grifando legislações trabalhistas - isso realmente me deixou muito feliz, rs!)". E desde então tenho pensado nisso... Na minha escolha de não seguir a carreira jurídica, e na felicidade que senti ao me intitular "advogada", mesmo sabendo que talvez nunca vá redigir ou assinar uma peça processual na vida.

Eu fiz uma escolha, e não foi a mais fácil. É maravilhoso, eu sei, ter a oportunidade de escolher. Mas por incrível que pareça, também pode ser um pouco perturbador, ou até paralisante. Vamos supor que a vida inteira eu tenha sonhado com uma carreira na advocacia, me dedicando à este sonho todos os dias. Passar no exame da ordem seria extraordinário, e certamente iria garantir uma satisfação constante, até que um novo obstáculo a ser superado surgisse. Mas sinto apenas conforto.

Eu nunca soube o que iria fazer. Meus pais sempre me encorajaram dizendo que "eu poderia ser o que quisesse" e, nossa, isso pode ser realmente assustador. Imagine se você tivesse que escolher agora, entre as milhares de profissões do mundo, só uma para chamar de sua? Mesmo que você escolha uma pela qual sempre foi apaixonado, a inúmera quantidade de opções deixadas de lado, em algum momento vai lhe trazer certa dúvida.

Ah, essa vida cheia de escolhas. Seria muito mais fácil se todo mundo já nascesse pré-determinado a seguir um caminho: objetivos pontuais, conquistas certeiras, metas e planejamentos a todo tempo. Mas esse mundo lutou muito pela liberdade e, apesar de ser um pouco mais complicado, vale a pena tentar. Sim, tentar. Eu não sabia que seria empresária. Há um ano atrás, era "só" blogueira. Hoje estou tentando consolidar a minha marca, e fazê-la crescer até certo ponto em que eu possa reconhecer: "fiz a escolha certa". E, quer saber? Nem vou esperar até lá.

Prefiro pensar que a minha escolha foi certa só por ter sido feita. Que, diante do leque de opções e profissões ao qual somos expostos, ter a coragem e a determinação de escolher - e se dedicar a uma, já é uma conquista. É como se ver diante de uma vitrine com centenas de sabores de sorvete e escolher provar o de chocolate pensando que o de limão deve ser muito bom também. Todos são bons, na verdade. Escolhas e caminhos sempre têm seus prós e contras, suas mil possibilidades. E são todas válidas... Mesmo que em certo momento você perceba que fez a escolha errada, no fim das contas foi  ela quem te mostrou qual era a certa.

Eu sei o quanto é assustador, ter que decidir. Mas é um privilégio não precisar que alguém escolha por nós. Ser livre também é ser corajoso. Então, mesmo que você não tenha tanta certeza... Mesmo que, na balança, os caminhos diferentes se equilibrem... E mesmo que, no fundo, você não saiba o que fazer, faça alguma coisa. Não seja só o que acontece com você. Não fique parado com medo das inúmeras possibilidades, assistindo a vida acontecer.  E, quando for escolher, faça com paixão. Aí sempre vai valer a pena.

Mil beijos,

Luisa.

TCC: Moda x Sociedade de Consumo

Hoje vou contar a vocês um pouco sobre a minha monografia. Prefiro contar, mesmo, do que só compartilhar aqui o texto completo em pdf e nas normas da ABNT. Acho que todos concordamos que estas formalidades não são lá as mais interessantes. Apesar de ter cursado Direito, nunca me senti muito empolgada com legislações, jurisprudências e discussões jurídicas, no geral. Tive a sorte de escolher o meu tema a partir da sociologia - essa sim, me fascina.

Falei de moda e da sua relação com a sociedade de consumo, um tema que permite inúmeras abordagens, apesar de não ser dos mais presentes nas pesquisas acadêmicas. Comecei o trabalho afirmando que, ao caracterizar a sociedade contemporânea, não encontramos termo mais adequado do que "Sociedade de Consumo". Não falo do consumo natural e saudável, mas de sua dimensão ostentatória e exagerada - um sistema de reciclagens e circularidade vazia.

Neste contexto, a moda se insere como eixo normativo, ou expressão máxima do consumo. Ela estabelece vínculos entre o mercado e a sociedade, determinando os produtos que representam a suposta satisfação dos desejos pessoais, sucesso e felicidade do consumidor.

Como diria Baudrillard, grande responsável pela base teórica do meu trabalho, não consumimos coisas, mas "signos" - associações simbólicas da mercadoria. Em outras palavras, não consumimos um casaco pela utilidade que o mesmo nos oferece, qual seja, nos proteger do frio, mas pela marca que possui, pelo status que ele representa ou pela felicidade que supostamente nos proporciona. Nas palavras do mesmo autor, a moda "[...] constitui o desespero de que nada dure." - ela retira o interesse do que não é novo - você precisa se reciclar sempre.

Falando de Bauman, outro teórico que muito me ensinou sobre o tema, a perseguição pela felicidade parece ser o bem mais valioso da sociedade de consumo. Com a economia voraz e o ritmo acelerado com que os produtos entram e saem de moda, a insatisfação é contínua. A gente sempre precisa ficar um pouco mais feliz, "comprando algo novo". Vive-se a era do prazer efêmero.

Já Bourdieu, ao estudar a Alta Costura, constata que o termo "grife" funciona como a assinatura de um pintor consagrado, que atribui valor imediato à um produto. Não por sua funcionalidade ou pela riqueza de seus materiais, mas pelo símbolo de status e poder que representa.

De modo a relacionar as reflexões destes autores à realidade em que vivemos, fiz uma pesquisa acadêmica a respeito do tema. Apesar de não ser possível trabalhar com generalizações, os dados obtidos a partir do questionário (disponibilizado aqui no site, rs!) mostram que diversas posições dos autores estudados durante o trabalho são verdades na atualidade. 

São muitas as mulheres que desejam uma peça não em razão de suas características materiais, mas pela imagem da mulher/modelo perfeita e padronizada à qual ela está associada. As tendências de moda incentivam o desejo pelo consumo sempre que surge uma novidade no mercado: tudo tem data de validade afixada.

Na minha opinião, a parte mais interessante do trabalho é aquela em que faço uma relação da entrevista realizada com modelos aos pensamentos dos teóricos da sociedade de consumo. Percebe-se que a própria modelo se sente como um produto também, e deve se comportar de acordo com as exigências dos padrões de moda. Como uma delas afirmou, muitas meninas acabam por exercer o papel de personagens ao invés de agirem de acordo com a própria personalidade (Agradecimentos muito especiais à todas as meninas que me ajudaram com esta pesquisa. Não seria possível concluir o trabalho sem a participação de vocês.).

Sei que as conclusões do trabalho são bastante pessimistas em relação à moda, e não constituem a minha opinião pessoal. Tenho certeza de que esta é uma realidade, mas acredito que a moda, como fenômeno que nos acompanha à tantos séculos não pode se resumir apenas à uma ferramenta da sociedade de consumo. Acredito na moda como forma de expressão social e cultural das pessoas, em épocas diferentes. Acredito no consumo de moda saudável, na reciclagem das peças de nosso próprio guarda-roupas, e nas criações de artistas que possuem o talento de traduzir personalidade em roupa.

Se você curtiu o tema e quer se aprofundar ainda mais nele, pode conferir o meu trabalho completo neste link. Eu amo (sempre que posso) dividir o que me interessa com vocês. Não seria diferente desta vez!

Aguardo muitos comentários, opiniões, críticas ou o que quer que vocês desejem expressar.

Saudades!

Beijos,

Luisa.

Sobre o que a gente é quando cresce.

Já faz tempo quando, com meus 10 anos de idade, eu disse que seria veterinária quando crescesse. Os animais eram o que eu mais amava no mundo. Acabei desistindo pois não gostava da idéia de operar os bichinhos, e sabia que alguém faria o trabalho muito melhor do que eu. Jornalismo, advocacia e publicidade foram as outras carreiras que já me passaram pela cabeça. Nunca tive certeza sobre nenhuma delas. Difícil escolher o que a gente quer fazer para "ganhar a vida". Mais difícil ainda: ter coragem para fugir ao que  acham que "devemos" fazer da nossa vida.

Hoje, aos 23 anos, se você me perguntar o que me trouxe até aqui, terei que pensar por bons instantes. Os meus diários da infância, a paixão por fotografia, a mania de querer viver os meus sonhos... Ou talvez uma seqüência de fatos arranjados pelas pessoas, lugares e experiências que me tocaram a alma, daquele jeito que a gente sabe que não pode dar errado.

Não me lembro de ter respondido nenhum dos questionários cheios de possibilidades "do que você quer ser quando crescer". Os sonhos não cabiam na resposta, e ainda faltava muito para ser crescida. Eu sabia que queria ter um trabalho que me fizesse feliz, viajar o mundo e ter uma agenda lotada - e organizada - de compromissos. Eu queria ser importante, e só depois descobri que a única coisa que importava viria com o tempo: experiência.

A gente tem essa mania de querer ter tudo resolvido antes do tempo. Achamos que a descoberta do que amamos será o fim de nossas buscas, quando na verdade é apenas o começo de nossas aventuras. Ninguém deveria ter que saber o que quer ser quando crescer... Na minha opinião, quem tem a resposta é a vida. À nós só cabe experimentar - do jeito mais gostoso possível.

Se eu soubesse desde o princípio o que fazer com o meu tempo, certamente o caminho seria mais curto e muito menos surpreendente, empolgante e prazeroso. Eu tive medo, e entendi que se preocupar demais é centralizar a energia no que a gente não quer que aconteça. Duvidei do que eu poderia ser, mas os resultados me mostraram que eu só precisava fazer e acreditar para ter o que queria. A determinação é muito diferente da prepotência. Você reconhece seu valor, percebe que é o único responsável na busca de seus desejos e cresce com humildade.

Alguns dias você olha para trás e é engraçado pensar que você não sabia, mas nasceu para ser o que é. Não existe tempo certo para isso, pois a gente só atrai o que está pronto para viver. É como buscar um amor, que só vai nos encontrar quando estivermos distraídos. Eu ainda consigo me ver há um ano atrás, um pouco perdida nos objetivos da minha vida, sem saber o que fazer com o meu tempo. Não imaginava que hoje não teria tempo para pensar nisso. A realização me consome, e empreender é o que me realiza.

E você, tem sonhado com o que? Talvez possa lhe servir um pouco do que aprendi, quando digo: não se aflija. Comece, tente, experimente, faça o novo. Não se compare com os outros, pois ninguém foi único tentando se espelhar no resto do mundo. Acrescente o que deu errado ao seu potencial e experiência. Faça o que você ama, e não o que você acha que deveria amar. Paixão é essência e a gente não escolhe.

Tento não me esquecer de curtir o meu presente, que passa tão rápido quando a gente só quer mais. Sonhar é sempre bom, mas mais gostoso ainda é viver a realidade que a gente sempre quis. É crescer querendo ser cada vez mais o que, hoje, somos.

Início: a minha marca

Antes de começar a ler este post, pense um pouco em tudo o que você já viu por aqui. Se é leitora deste espaço há um bom tempo, certamente me conhece e, quem sabe, já até lembrou de mim com fotos, roupas e histórias que encontrou por seus caminhos. A gente se entende, e isso me faz muito feliz. Gosto de compartilhar o que eu amo com vocês e, nossa... Como esperei para falar deste momento. É bem difícil, na verdade, esclarecer tudo o que tem acontecido nos limites de um post, mas acho que pela nossa história nem vou precisar me esforçar tanto.

Eu sempre quis trabalhar feliz. Pertenço à geração que pretende curtir todo o percurso, ao invés de esperar para aproveitar o conforto no final do caminho. Conforto, na minha concepção, é rotina que preenche o coração. Criar uma marca já passou pela minha cabeça algumas vezes, mas achava óbvio demais. Me perdia nas incontáveis possibilidades de nomes, conceitos, temas e começos. E dali nada se construía. Com o tempo, vocês me ajudaram a encontrar e reconhecer o que foi berço de tudo: a minha identidade. Toda vez que uma leitora me mandava uma roupa que achou a minha cara, ou tirava uma foto ao "meu estilo", eu imaginava o que a fez reconhecer, ali, um pouco de mim. É incrível quando a gente consegue transmitir exatamente o que é. De certa forma, tudo aquilo que é verdadeiro assume o potencial de se tornar inspirador.

Foi natural, inevitável e muito especial, como a minha marca se construiu. Conheci as pessoas certas, nos momentos exatos, e quando isso acontece a gente tem ainda mais certeza do que está fazendo. Se tenho algo a oferecer, é a minha eterna gratidão àqueles que estão ao meu lado desde o início deste projeto. Nada como ter por perto quem nos faz acreditar na gente, e sempre direciona o caminho a nossa frente.

Faz aproximadamente 6 meses que eu não durmo ou acordo sem pensar e sonhar com tudo o que está acontecendo. É extremamente empolgante e desafiador inventar o conceito de uma coleção, acompanhar toda a sua criação e esperar para ver o que vai acontecer... O que vocês vão achar. Eu sempre quis fazer isso, mesmo sem saber desde o início. Quem curte empreendedorismo sabe que não tem nada como fazer do nosso jeito. É muito difícil, sim, e os problemas aparecem todos os dias para nos tirar o descanso. Mas no meio de toda a loucura, atrasos, imprevistos e riscos, o elogio de alguém que amou uma peça me arrepia o corpo inteiro. Nestes momentos eu me conforto e nem me importo com as noites sem dormir: só quero mais.

Me dediquei por inteiro a cada foto, mensagem e detalhe do e-commerce da marca que vai ao ar nesta semana, e confesso que me pego viajando, imaginando a reação de cada uma de vocês no primeiro acesso. Espero que acompanhe um sorriso, rs! Neste sábado, tive que segurar os olhos cheios d'água quando vi as meninas provando as peças e planejando a data certa para usarem, porque vestiu bem e elas amaram muito. Vai ser incrível ver cada uma delas acrescentando um pouco do próprio estilo à nova peça que adquiriram.

Estou muito feliz, de verdade. Mesmo com todo esse turbilhão de emoções que envolvem o lançamento, em meio a falta de tempo, meu coração insiste em repetir: "aproveite, porque está acontecendo". E obedeço, sem resistir, com um pensamento em mente: quero aproveitar para sempre.

ps: me desculpem a ausência nestas semanas recentes, isso não vai mais acontecer. O início é sempre loucura, mas aos poucos a gente se acostuma!

London day 3

Já vou começar o post avisando que estas são as minhas fotos preferidas da viagem. Reservamos a manhã da segunda-feira para um passeio clássico no parte que enfeita as redondezas do palácio de Buckingham: o Green Park. Pela primeira vez, nos hospedamos no outro lado do rio Tâmisa, em Southwark. Normalmente o custo dos hotéis é mais baixo e a região central da cidade está a apenas 20 minutos de caminhada ou 10 de metrô. Todos os dias atravessávamos a ponte para admirar a vista que eu mais amo em Londres: o parlamento e a London Eye. Mais uma vantagem de ficar no lado sul do rio!

Repetimos essa foto em algumas viagens a Londres, rs! Túnel do tempo... E que venham as próximas! Ps: não mudei quase nada e o Arthur nem parece a mesma pessoa.

A intenção era passar só a manhã no parque, mas os esquilos apareceram e a gente se apaixonou perdidamente. Me diz se existe alguma coisa mais deliciosa no mundo? Ficamos um tempão alimentando estes gordinhos que só fizeram sorrir quem passava por ali.

Juro que aquele parque era um dos lugares que eu escolheria para passar alguns dos momentos mais gostosos da vida. Não tem nada como o clima de outono, tão leve e aconchegante, confortável e colorido. Uma paisagem que pede pra gente - sempre - ficar mais um pouquinho.

Nessa época do ano escurece super cedo em Londres! A foto a seguir foi tirada por volta das 16:00... O jeito era aproveitar ao máximo a luz do dia e curtir a noite que se prolongava. Fomos para o Hyde Park e assistimos a um show no Bavarian Village, dentro do festival de inverno!

Quase um "Oktoberfest", rs! No final da festa, indiquei o caminho inverso em segredo, só pra ver a Harrods iluminada. Quando o Arthur descobriu, nem se arrependeu. Ela estava linda!

Mil beijos e até a próxima,

Luisa.

London day 2

Londres é cheia de surpresas, e sempre faço questão de descobri-las em todos os lugares possíveis. Digo isso pois vale muito a pena fugir dos programas convencionais para se aventurar nas muitas regiões da cidade. Quando fiz o curso no Marangoni em julho do ano passado fiquei hospedada em um bairro que nem fazia idéia que existia. Foi ótimo! Spitalfields devia ser visita obrigatória a todos os turistas. Foi lá onde começamos o dia e, inevitavelmente, passamos o resto dele.

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O mercado de Spitalfields acontece todos os domingos e reúne diversos estilistas novos e talentosos que desejam exibir suas coleções da maneira mais livre possível. Além das roupas, encontramos os objetos de decoração mais fofos e inesperados, como a caneca da Sussuia que hoje decora o meu quarto, rs!

Fizemos um lanche rápido e seguimos para Brick Lane, que atrai muita gente para East London graças aos diversos vintage shops, bares e mercadinhos que abriga. Rodamos horas em busca de alguns achados e o Arthur pirou com as coleções de discos de vinil disponíveis em quase todos os lugares.

Voltamos ao hotel e logo saímos para conhecer o festival de natal que acontecia em Southbank. Chegamos e já estava acabando, por isso andamos até o outro lado da cidade em busca de uma massa quentinha para o jantar!

Passando por Covent Garden... Era delicioso esse clima de natal no frio; a cidade totalmente iluminada! Vejo vocês no próximo post com nosso dia no parque e os companheiros mais lindos que poderíamos encontrar!

Beijos,

Luisa.

London day 1

A gente sempre tem um lugar no mundo que nos faz sentir em casa, mesmo quando estamos bem longe dela. O meu é Londres. Só de chegar lá abro um sorriso cheio de boas lembranças e ansioso por novas experiências... E é uma delícia! No dia 20 fui com meu irmão passar alguns dias na nossa cidade preferida. Eu nunca tinha ido nesta época, mas com as folhas caindo e o natal se aproximando eu tive a certeza de que aquele lugar guardava diferentes surpresas a cada estação. Nos divertimos muito, curtimos a nossa primeira viagem sozinhos e nos apaixonamos ainda mais pela Inglaterra.

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No primeiro dia, sábado, visitamos Notting Hill e o Portobello Market, na famosa Portobello Road. São milhares de brechós, barraquinhas, restaurantes e peças antigas que você nunca imaginou que existiriam. Perfeito para quem ama o universo vintage, discos de vinil e outros achados com muita história.

Dei até entrevista para um canal da televisão Polonesa, falando sobre a moda em Londres e o que mais amo no Portobello Market!

Depois seguimos para Chelsea, onde passeamos o resto da tarde pela King's Road. É um lugar que pouca gente costuma visitar, por isso considero perfeito para algumas comprinhas diferenciadas. Além das lojas de decoração mais lindas, lá estão algumas das minhas preferidas, como a Brandy Melville ou a Anthropologie. Eu estava vestindo capa, botas, short e chapéu da Topshop. Nem preciso dizer que é sempre a minha primeira parada quando chego na cidade, rs!

O bairro estava lindo, todo iluminado com as luzes de natal! Muita gente se aconchegando nos aquecedores do lado de fora das lojas e restaurantes... Um cenário delicioso no lugar perfeito!

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Depois de passarmos no hotel, seguimos para o Hyde Park para a inauguração do Winter Wonderland. O festival de inverno acontece todos os anos e foi uma das melhores surpresas da viagem. A entrada é gratuita e a variedade de barraquinhas com todas as gostosuras que você conhece, enorme. Luzes por todos os lados, uma enorme pista de patinação no gelo, shows e música para todos os gostos e idades. Era um espetáculo perfeito do Natal!

 Na volta para casa, ao atravessar a ponte, uma das imagens que sempre guardo no coração... Como é incrível estar em Londres!

Mil beijos e até a próxima,

Luisa.

Mídia Social X Vida Real

As vezes eu faço tanta coisa que fico perdida na hora de parar. Não consigo parar, na verdade. Vou à aula, não presto atenção porque preciso responder emails e editar posts.  Almoço com pressa enquanto confiro o feed do instagram e atualizo a minha foto na esperança de ter recebido mais curtidas. Se consigo passar em casa, abro o computador na mesa sem lembrar que o dia está lindo e eu havia prometido que passearia mais com meus cachorros, quando pudesse. Mas sempre parece que eu nunca posso. É engraçado como me sinto incomodada quando não tenho nada para fazer... A lista de tarefas tem que ser interminável, ou a sensação de inutilidade toma conta do meu corpo inteiro. Logo quando o tempo parece se tornar tesouro cada vez mais raro, insisto em consumi-lo, minuto por minuto.

O fim de semana já estava planejado desde segunda. Precisa ser interessante, não dá para ficar em casa sem fazer nada. Aí não tem post, não tem curtida, não tem "massagem social" no ego. "Só" tem vida, pra valer. Queria me lembrar de esquecer do resto do mundo de vez em quando. Se eu e meu namorado desfrutamos de um jantar delicioso, pode ser ainda mais gostoso guardar só pra gente. Acho lindo que certos momentos existem apenas para algumas pessoas. Sinto "saudade" disso, pois não consigo me lembrar da última vez que esqueci de levar o celular. E você?

Domingo à noite, antes de dormir, você passa o dedo na tela do telefone e instantaneamente começa a comparar a sua vida inteira com algumas fotos do instagram de outra pessoa. A sua cama parecia o melhor lugar do mundo, mas deixa de ser quando você descobre que metade dele está curtindo a praia em St. Barths. Você também está feliz solteira, mas é impossível manter-se assim quando todos os casais do insta têm o relacionamento dos sonhos. "Eles são tão felizes, né?". Adivinhe só: você não sabe! O que você vê da tela do seu celular é apenas - repito - apenas uma vitrine. Reflexo da mania que as pessoas têm de se mostrarem felizes o tempo inteiro nas mídias sociais. Tudo é glamourizado, desde o closet cheio de sapatos, o prazer do #ilovemyjob à dieta sem glúten e lactose. Todo mundo jura que têm a vida perfeita, e a gente acredita.

Eu amo o que faço aqui, porque sinto que é real. Quero levar algo de bom à sua vida, e não imaginar que depois de ler o blog você gostaria de ter a minha. Se você se sente assim, terei que começar a compartilhar minhas caras de choro durante as crises de existência, ou a última briga que tive com o meu namorado. Você conhece o meu blog e não a minha história.

Em algum momento, tornou-se inaceitável que as coisas não estivessem indo tão bem... As pessoas não postam suas crises familiares ou problemas pessoais, mas não significa que estes não estejam presentes, e que você seja a única a enfrenta-los. Como disse o filósofo Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Acho que deveríamos ser mais leves, sabe? Eu estou em busca disso: realidade. A vida é encantadora em suas irregularidades, desafios, altos e baixos. A perfeição pode ser entediante e previsível. É chata e vazia. Qual a graça de se transformar em um produto, um personagem que o seu íntimo mal conhece? Tem charme na originalidade. No diferente, na loucura, nos bastidores. Seria covardia viver só de ensaios para a platéia... A gente não deveria agir esperando ela aplaudir.

Eu quero viver por inteiro, juro que eu quero. Preencher minha alma de momentos antes de lotar a memória do celular. Quero curtir o show e esquecer de filmar. Nem que seja apenas de vez em quando... Eu quero "só" vida pra valer.