you always have a choice Dicas
07 OUTUBRO. 2015
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Ontem eu tive o enorme prazer de ver meu nome na lista dos aprovados na OAB. Apesar de não ter sido a mais emocionante das conquistas, foi impossível não sentir alegria por mais uma etapa cumprida: “Ok, agora eu não preciso mais pensar nisso (e nem passar horas grifando legislações trabalhistas – isso realmente me deixou muito feliz, rs!)”. E desde então tenho pensado nisso… Na minha escolha de não seguir a carreira jurídica, e na felicidade que senti ao me intitular “advogada”, mesmo sabendo que talvez nunca vá redigir ou assinar uma peça processual na vida.

Eu fiz uma escolha, e não foi a mais fácil. É maravilhoso, eu sei, ter a oportunidade de escolher. Mas por incrível que pareça, também pode ser um pouco perturbador, ou até paralisante. Vamos supor que a vida inteira eu tenha sonhado com uma carreira na advocacia, me dedicando à este sonho todos os dias. Passar no exame da ordem seria extraordinário, e certamente iria garantir uma satisfação constante, até que um novo obstáculo a ser superado surgisse. Mas sinto apenas conforto.

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Eu nunca soube o que iria fazer. Meus pais sempre me encorajaram dizendo que “eu poderia ser o que quisesse” e, nossa, isso pode ser realmente assustador. Imagine se você tivesse que escolher agora, entre as milhares de profissões do mundo, só uma para chamar de sua? Mesmo que você escolha uma pela qual sempre foi apaixonado, a inúmera quantidade de opções deixadas de lado, em algum momento vai lhe trazer certa dúvida.

Ah, essa vida cheia de escolhas. Seria muito mais fácil se todo mundo já nascesse pré-determinado a seguir um caminho: objetivos pontuais, conquistas certeiras, metas e planejamentos a todo tempo. Mas esse mundo lutou muito pela liberdade e, apesar de ser um pouco mais complicado, vale a pena tentar. Sim, tentar. Eu não sabia que seria empresária. Há um ano atrás, era “só” blogueira. Hoje estou tentando consolidar a minha marca, e fazê-la crescer até certo ponto em que eu possa reconhecer: “fiz a escolha certa”. E, quer saber? Nem vou esperar até lá.

Prefiro pensar que a minha escolha foi certa só por ter sido feita. Que, diante do leque de opções e profissões ao qual somos expostos, ter a coragem e a determinação de escolher – e se dedicar a uma, já é uma conquista. É como se ver diante de uma vitrine com centenas de sabores de sorvete e escolher provar o de chocolate pensando que o de limão deve ser muito bom também. Todos são bons, na verdade. Escolhas e caminhos sempre têm seus prós e contras, suas mil possibilidades. E são todas válidas… Mesmo que em certo momento você perceba que fez a escolha errada, no fim das contas foi  ela quem te mostrou qual era a certa.

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Eu sei o quanto é assustador, ter que decidir. Mas é um privilégio não precisar que alguém escolha por nós. Ser livre também é ser corajoso. Então, mesmo que você não tenha tanta certeza… Mesmo que, na balança, os caminhos diferentes se equilibrem… E mesmo que, no fundo, você não saiba o que fazer, faça alguma coisa. Não seja só o que acontece com você. Não fique parado com medo das inúmeras possibilidades, assistindo a vida acontecer.  E, quando for escolher, faça com paixão. Aí sempre vai valer a pena.

Mil beijos,

Luisa.

Who run the world? Lifestyle
24 MARçO. 2015
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Gostei tanto do último livro que li que me sinto quase na obrigação de indica-lo a vocês, assim como uma professora querida fez comigo. Ao escrever “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”, Sheryl Sandberg, chefe operacional do facebook, teve a intenção de incentivar a nós, mulheres, a buscarmos, em todos os sentidos, a nossa realização profissional. Confesso que fiquei impressionada com as pesquisas por ela apresentadas, comprovando a – enorme! – diferença entre oportunidades, salários e carreiras de homens e mulheres. Não vivemos em um mundo feminista, ou sequer igualitário. Essa desigualdade não parece tão notável em nosso dia-a-dia, pois estamos muito acostumadas com o que sempre nos foi dito.

Quando eu era criança, tinha uma turma de amigos no prédio que mais se parecia com uma organização infantil. Criei “carteirinhas” de identificação para cada membro, descrevendo nome, apelido e especialidade. Sabe qual era a minha? Mandar. Naquela época, inventava peças de teatro para dirigir, vídeos para gravar, reuniões da comissão do “play” para designar funções. Eu supria a vontade de tudo o que queria fazer no futuro, com aquelas brincadeiras nem tão “de criança” assim. Tive a sorte de ser sempre incentivada pela minha família, que enxergava a minha habilidade de “mandar” como vantagem para uma menina que, quando mulher, queria ser levada a sério.

A realidade é que, na maioria das vezes, as meninas não são encorajadas a se posicionarem como líderes. Não contam a elas do sonho de se realizar em suas profissões com o mesmo entusiasmo com que destacam a importância de encontrar o príncipe encantado. Aí, perpetuamos a cultura de desigualdade entre os gêneros. Criamos meninas-mulheres que dificilmente irão reconhecer todo o potencial que possuem.

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Sempre tive preguiça dos parâmetros sociais: a grande maioria das pessoas enxerga com muito preconceito tudo o que não parece de acordo com o que estamos “acostumados”. Mulher bem sucedida que contribui com a maior parte das contas da família? É mal amada! Não vejo, no mundo em que vivemos, motivos para acreditar que o sucesso profissional não seja sexy. Até onde eu sei, relacionamento é parceria, não competição.

Passei a infância comendo miojo nos fins de semana; minha mãe sempre deixou claro o quanto detestava a cozinha (mãe, você sabe que amo miojo até hoje,rs!). Hoje, ela e minha madrinha (cuja afinidade com a cozinha é totalmente oposta), comandam um restaurante na minha cidade. Cresci a vendo trabalhar muito e não tenho nenhum trauma dos dias em que ela não pode me buscar na escola. Tenho é muito orgulho.

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Fui criada para conquistar a minha independência e jamais acreditar nos estereótipos. Ganho o meu próprio dinheiro, saio toda semana com as meninas, trabalho nos fins de semana e aprendi com o meu namorado a fritar ovo. Ele também passa roupa muito melhor do que eu. Acho engraçado quando perguntam como ele fica já que viajo todo mês para trabalhar, pois tenho certeza de que não perguntariam como fico, se fosse ele em meu lugar.

Seria ótimo se todo mundo fosse um pouco mais feminista. O feminismo, segundo o dicionário, objetiva os direitos equânimes a partir da libertação de padrões opressores baseados em normas de gêneros. Simplificando: igualdade entre homens e mulheres. Se o mundo fosse feminista, as mulheres não receberiam 70 centavos para cada dólar que o homem ganha, exercendo o mesmo cargo. Também não se sentiriam intimidadas a se tornarem as “mais inteligentes da classe”, só porque “os caras não curtem as nerds”. Teriam filhos e, naturalmente, não seriam desencorajadas a continuarem crescendo profissionalmente. Teríamos mais líderes e, sem dúvidas, seríamos mais unidas.

Mudanças podem ser delicadas, mas são bem-vindas. Neste caso são particularmente necessárias e urgentes. Agradeço a Sheryl Sandberg por despertar em nós a vontade de fazer acontecer. Juntas, ‘we run the world, girls’.

Beijos,

Luisa.

Mídia Social X Vida Real Lifestyle
13 AGOSTO. 2014
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As vezes eu faço tanta coisa que fico perdida na hora de parar. Não consigo parar, na verdade. Vou à aula, não presto atenção porque preciso responder emails e editar posts.  Almoço com pressa enquanto confiro o feed do instagram e atualizo a minha foto na esperança de ter recebido mais curtidas. Se consigo passar em casa, abro o computador na mesa sem lembrar que o dia está lindo e eu havia prometido que passearia mais com meus cachorros, quando pudesse. Mas sempre parece que eu nunca posso. É engraçado como me sinto incomodada quando não tenho nada para fazer… A lista de tarefas tem que ser interminável, ou a sensação de inutilidade toma conta do meu corpo inteiro. Logo quando o tempo parece se tornar tesouro cada vez mais raro, insisto em consumi-lo, minuto por minuto.

O fim de semana já estava planejado desde segunda. Precisa ser interessante, não dá para ficar em casa sem fazer nada. Aí não tem post, não tem curtida, não tem “massagem social” no ego. “Só” tem vida, pra valer. Queria me lembrar de esquecer do resto do mundo de vez em quando. Se eu e meu namorado desfrutamos de um jantar delicioso, pode ser ainda mais gostoso guardar só pra gente. Acho lindo que certos momentos existem apenas para algumas pessoas. Sinto “saudade” disso, pois não consigo me lembrar da última vez que esqueci de levar o celular. E você?

Domingo à noite, antes de dormir, você passa o dedo na tela do telefone e instantaneamente começa a comparar a sua vida inteira com algumas fotos do instagram de outra pessoa. A sua cama parecia o melhor lugar do mundo, mas deixa de ser quando você descobre que metade dele está curtindo a praia em St. Barths. Você também está feliz solteira, mas é impossível manter-se assim quando todos os casais do insta têm o relacionamento dos sonhos. “Eles são tão felizes, né?”. Adivinhe só: você não sabe! O que você vê da tela do seu celular é apenas – repito – apenas uma vitrine. Reflexo da mania que as pessoas têm de se mostrarem felizes o tempo inteiro nas mídias sociais. Tudo é glamourizado, desde o closet cheio de sapatos, o prazer do #ilovemyjob à dieta sem glúten e lactose. Todo mundo jura que têm a vida perfeita, e a gente acredita.

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Eu amo o que faço aqui, porque sinto que é real. Quero levar algo de bom à sua vida, e não imaginar que depois de ler o blog você gostaria de ter a minha. Se você se sente assim, terei que começar a compartilhar minhas caras de choro durante as crises de existência, ou a última briga que tive com o meu namorado. Você conhece o meu blog e não a minha história.

Em algum momento, tornou-se inaceitável que as coisas não estivessem indo tão bem… As pessoas não postam suas crises familiares ou problemas pessoais, mas não significa que estes não estejam presentes, e que você seja a única a enfrenta-los. Como disse o filósofo Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Acho que deveríamos ser mais leves, sabe? Eu estou em busca disso: realidade. A vida é encantadora em suas irregularidades, desafios, altos e baixos. A perfeição pode ser entediante e previsível. É chata e vazia. Qual a graça de se transformar em um produto, um personagem que o seu íntimo mal conhece? Tem charme na originalidade. No diferente, na loucura, nos bastidores. Seria covardia viver só de ensaios para a platéia… A gente não deveria agir esperando ela aplaudir.

Eu quero viver por inteiro, juro que eu quero. Preencher minha alma de momentos antes de lotar a memória do celular. Quero curtir o show e esquecer de filmar. Nem que seja apenas de vez em quando… Eu quero “só” vida pra valer.

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FASHION TALK Lifestyle
14 JANEIRO. 2014
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Eu sempre fui apaixonada por moda. Mas, tente entender: a minha paixão não começou pelas roupas, mas sim pelas pessoas. Para mim, a moda é feita disso… De pessoas reais, culturas e aventuras pelo mundo. Ultrapassa marcas, etiquetas, tendências e qualquer outro termo de cunho comercial. Não é só comprar, é se inspirar. Uma pena que tanta gente veja isso de um jeito diferente.

Sinceramente, as vezes canso das tendências massivas, do mundo fashion dizendo à suas vítimas o que devem vestir. Todos os dias vejo um visual padronizado, um tédio conformado, regado à muitos dígitos na conta do cartão de crédito. Se fosse para seguir o que as tendências ditam por aí, todo mês eu teria um guarda-roupa novo e, de quebra, não usaria nem metade dele. Hoje em dia, o que a gente comprou há um mês atrás já não tem mais graça. É muito “fácil” estar na moda (vestir o que todo mundo usa). Surge uma blusa no modelo cropped que virou objeto de desejo: você compra. Surge a estampa de frutas, que transformou as ruas em feiras: você compra. Você consegue o que quer, mas aquilo nunca vai te satisfazer de verdade. Mais inteligente, bonito e interessante, é gastar tempo ao invés de dinheiro. Passe meses, anos e uma vida inteira se conhecendo… Adquira peças que, de tão pessoais, um dia vão contar histórias.

Muita gente se diz apaixonada por moda, mas não sabe responder uma pergunta trivial: qual é o seu estilo? A verdade é que tudo isso é culpa do conformismo. Preguiça de aprender, de tomar tempo para aprimorar seus conhecimentos ao invés de gastar 10 minutos lendo e absorvendo de um blog ou revista o que vai bombar neste verão. Oras, você vai bombar neste verão. Seus gostos, suas preferências, a cor que fica melhor no seu tom de pele, a modelagem que te valoriza. Não entendo a ânsia de ser igual quando o segredo está nas diferenças. A moda sempre foi uma questão de inspiração, mas o que a torna única é o seu toque pessoal. Toques de pessoas que usam roupas que as definem. Pessoas que se vestem de acordo com quem elas são. Pessoas que inspiram as outras.

Não se deixe levar apenas por tendências. Não se faça vítima da moda, mas use-a para mostrar ao mundo quem você é, sem que ele lhe diga quem você deveria ser. Não deixe que a moda lhe faça, quando você é que deveria fazer moda!

Mil beijos!