TCC: Moda x Sociedade de Consumo Cultura
22 JULHO. 2015
22 COMENTÁRIOS

Hoje vou contar a vocês um pouco sobre a minha monografia. Prefiro contar, mesmo, do que só compartilhar aqui o texto completo em pdf e nas normas da ABNT. Acho que todos concordamos que estas formalidades não são lá as mais interessantes. Apesar de ter cursado Direito, nunca me senti muito empolgada com legislações, jurisprudências e discussões jurídicas, no geral. Tive a sorte de escolher o meu tema a partir da sociologia – essa sim, me fascina.

Falei de moda e da sua relação com a sociedade de consumo, um tema que permite inúmeras abordagens, apesar de não ser dos mais presentes nas pesquisas acadêmicas. Comecei o trabalho afirmando que, ao caracterizar a sociedade contemporânea, não encontramos termo mais adequado do que “Sociedade de Consumo”. Não falo do consumo natural e saudável, mas de sua dimensão ostentatória e exagerada – um sistema de reciclagens e circularidade vazia.

dde1762e0e2116d3fc10b6ea0c38dffd

Neste contexto, a moda se insere como eixo normativo, ou expressão máxima do consumo. Ela estabelece vínculos entre o mercado e a sociedade, determinando os produtos que representam a suposta satisfação dos desejos pessoais, sucesso e felicidade do consumidor.

Como diria Baudrillard, grande responsável pela base teórica do meu trabalho, não consumimos coisas, mas “signos” – associações simbólicas da mercadoria. Em outras palavras, não consumimos um casaco pela utilidade que o mesmo nos oferece, qual seja, nos proteger do frio, mas pela marca que possui, pelo status que ele representa ou pela felicidade que supostamente nos proporciona. Nas palavras do mesmo autor, a moda “[…] constitui o desespero de que nada dure.” – ela retira o interesse do que não é novo – você precisa se reciclar sempre.

Falando de Bauman, outro teórico que muito me ensinou sobre o tema, a perseguição pela felicidade parece ser o bem mais valioso da sociedade de consumo. Com a economia voraz e o ritmo acelerado com que os produtos entram e saem de moda, a insatisfação é contínua. A gente sempre precisa ficar um pouco mais feliz, “comprando algo novo”. Vive-se a era do prazer efêmero.

f7082142f9846d2456fd5cd81f5f0826

Já Bourdieu, ao estudar a Alta Costura, constata que o termo “grife” funciona como a assinatura de um pintor consagrado, que atribui valor imediato à um produto. Não por sua funcionalidade ou pela riqueza de seus materiais, mas pelo símbolo de status e poder que representa.

De modo a relacionar as reflexões destes autores à realidade em que vivemos, fiz uma pesquisa acadêmica a respeito do tema. Apesar de não ser possível trabalhar com generalizações, os dados obtidos a partir do questionário (disponibilizado aqui no site, rs!) mostram que diversas posições dos autores estudados durante o trabalho são verdades na atualidade. 

São muitas as mulheres que desejam uma peça não em razão de suas características materiais, mas pela imagem da mulher/modelo perfeita e padronizada à qual ela está associada. As tendências de moda incentivam o desejo pelo consumo sempre que surge uma novidade no mercado: tudo tem data de validade afixada.

Na minha opinião, a parte mais interessante do trabalho é aquela em que faço uma relação da entrevista realizada com modelos aos pensamentos dos teóricos da sociedade de consumo. Percebe-se que a própria modelo se sente como um produto também, e deve se comportar de acordo com as exigências dos padrões de moda. Como uma delas afirmou, muitas meninas acabam por exercer o papel de personagens ao invés de agirem de acordo com a própria personalidade (Agradecimentos muito especiais à todas as meninas que me ajudaram com esta pesquisa. Não seria possível concluir o trabalho sem a participação de vocês.).

Sei que as conclusões do trabalho são bastante pessimistas em relação à moda, e não constituem a minha opinião pessoal. Tenho certeza de que esta é uma realidade, mas acredito que a moda, como fenômeno que nos acompanha à tantos séculos não pode se resumir apenas à uma ferramenta da sociedade de consumo. Acredito na moda como forma de expressão social e cultural das pessoas, em épocas diferentes. Acredito no consumo de moda saudável, na reciclagem das peças de nosso próprio guarda-roupas, e nas criações de artistas que possuem o talento de traduzir personalidade em roupa.

Se você curtiu o tema e quer se aprofundar ainda mais nele, pode conferir o meu trabalho completo neste link. Eu amo (sempre que posso) dividir o que me interessa com vocês. Não seria diferente desta vez!

Aguardo muitos comentários, opiniões, críticas ou o que quer que vocês desejem expressar.

Saudades!

Beijos,

Luisa.

Who run the world? Lifestyle
24 MARçO. 2015
22 COMENTÁRIOS

Gostei tanto do último livro que li que me sinto quase na obrigação de indica-lo a vocês, assim como uma professora querida fez comigo. Ao escrever “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”, Sheryl Sandberg, chefe operacional do facebook, teve a intenção de incentivar a nós, mulheres, a buscarmos, em todos os sentidos, a nossa realização profissional. Confesso que fiquei impressionada com as pesquisas por ela apresentadas, comprovando a – enorme! – diferença entre oportunidades, salários e carreiras de homens e mulheres. Não vivemos em um mundo feminista, ou sequer igualitário. Essa desigualdade não parece tão notável em nosso dia-a-dia, pois estamos muito acostumadas com o que sempre nos foi dito.

Quando eu era criança, tinha uma turma de amigos no prédio que mais se parecia com uma organização infantil. Criei “carteirinhas” de identificação para cada membro, descrevendo nome, apelido e especialidade. Sabe qual era a minha? Mandar. Naquela época, inventava peças de teatro para dirigir, vídeos para gravar, reuniões da comissão do “play” para designar funções. Eu supria a vontade de tudo o que queria fazer no futuro, com aquelas brincadeiras nem tão “de criança” assim. Tive a sorte de ser sempre incentivada pela minha família, que enxergava a minha habilidade de “mandar” como vantagem para uma menina que, quando mulher, queria ser levada a sério.

A realidade é que, na maioria das vezes, as meninas não são encorajadas a se posicionarem como líderes. Não contam a elas do sonho de se realizar em suas profissões com o mesmo entusiasmo com que destacam a importância de encontrar o príncipe encantado. Aí, perpetuamos a cultura de desigualdade entre os gêneros. Criamos meninas-mulheres que dificilmente irão reconhecer todo o potencial que possuem.

3

Sempre tive preguiça dos parâmetros sociais: a grande maioria das pessoas enxerga com muito preconceito tudo o que não parece de acordo com o que estamos “acostumados”. Mulher bem sucedida que contribui com a maior parte das contas da família? É mal amada! Não vejo, no mundo em que vivemos, motivos para acreditar que o sucesso profissional não seja sexy. Até onde eu sei, relacionamento é parceria, não competição.

Passei a infância comendo miojo nos fins de semana; minha mãe sempre deixou claro o quanto detestava a cozinha (mãe, você sabe que amo miojo até hoje,rs!). Hoje, ela e minha madrinha (cuja afinidade com a cozinha é totalmente oposta), comandam um restaurante na minha cidade. Cresci a vendo trabalhar muito e não tenho nenhum trauma dos dias em que ela não pode me buscar na escola. Tenho é muito orgulho.

2

Fui criada para conquistar a minha independência e jamais acreditar nos estereótipos. Ganho o meu próprio dinheiro, saio toda semana com as meninas, trabalho nos fins de semana e aprendi com o meu namorado a fritar ovo. Ele também passa roupa muito melhor do que eu. Acho engraçado quando perguntam como ele fica já que viajo todo mês para trabalhar, pois tenho certeza de que não perguntariam como fico, se fosse ele em meu lugar.

Seria ótimo se todo mundo fosse um pouco mais feminista. O feminismo, segundo o dicionário, objetiva os direitos equânimes a partir da libertação de padrões opressores baseados em normas de gêneros. Simplificando: igualdade entre homens e mulheres. Se o mundo fosse feminista, as mulheres não receberiam 70 centavos para cada dólar que o homem ganha, exercendo o mesmo cargo. Também não se sentiriam intimidadas a se tornarem as “mais inteligentes da classe”, só porque “os caras não curtem as nerds”. Teriam filhos e, naturalmente, não seriam desencorajadas a continuarem crescendo profissionalmente. Teríamos mais líderes e, sem dúvidas, seríamos mais unidas.

Mudanças podem ser delicadas, mas são bem-vindas. Neste caso são particularmente necessárias e urgentes. Agradeço a Sheryl Sandberg por despertar em nós a vontade de fazer acontecer. Juntas, ‘we run the world, girls’.

Beijos,

Luisa.

Sobre o que a gente é quando cresce. Lifestyle
28 JANEIRO. 2015
40 COMENTÁRIOS

Já faz tempo quando, com meus 10 anos de idade, eu disse que seria veterinária quando crescesse. Os animais eram o que eu mais amava no mundo. Acabei desistindo pois não gostava da idéia de operar os bichinhos, e sabia que alguém faria o trabalho muito melhor do que eu. Jornalismo, advocacia e publicidade foram as outras carreiras que já me passaram pela cabeça. Nunca tive certeza sobre nenhuma delas. Difícil escolher o que a gente quer fazer para “ganhar a vida”. Mais difícil ainda: ter coragem para fugir ao que  acham que “devemos” fazer da nossa vida.

Hoje, aos 23 anos, se você me perguntar o que me trouxe até aqui, terei que pensar por bons instantes. Os meus diários da infância, a paixão por fotografia, a mania de querer viver os meus sonhos… Ou talvez uma seqüência de fatos arranjados pelas pessoas, lugares e experiências que me tocaram a alma, daquele jeito que a gente sabe que não pode dar errado.

Não me lembro de ter respondido nenhum dos questionários cheios de possibilidades “do que você quer ser quando crescer”. Os sonhos não cabiam na resposta, e ainda faltava muito para ser crescida. Eu sabia que queria ter um trabalho que me fizesse feliz, viajar o mundo e ter uma agenda lotada – e organizada – de compromissos. Eu queria ser importante, e só depois descobri que a única coisa que importava viria com o tempo: experiência.

A gente tem essa mania de querer ter tudo resolvido antes do tempo. Achamos que a descoberta do que amamos será o fim de nossas buscas, quando na verdade é apenas o começo de nossas aventuras. Ninguém deveria ter que saber o que quer ser quando crescer… Na minha opinião, quem tem a resposta é a vida. À nós só cabe experimentar – do jeito mais gostoso possível.

Se eu soubesse desde o princípio o que fazer com o meu tempo, certamente o caminho seria mais curto e muito menos surpreendente, empolgante e prazeroso. Eu tive medo, e entendi que se preocupar demais é centralizar a energia no que a gente não quer que aconteça. Duvidei do que eu poderia ser, mas os resultados me mostraram que eu só precisava fazer e acreditar para ter o que queria. A determinação é muito diferente da prepotência. Você reconhece seu valor, percebe que é o único responsável na busca de seus desejos e cresce com humildade.

Desktop9

Alguns dias você olha para trás e é engraçado pensar que você não sabia, mas nasceu para ser o que é. Não existe tempo certo para isso, pois a gente só atrai o que está pronto para viver. É como buscar um amor, que só vai nos encontrar quando estivermos distraídos. Eu ainda consigo me ver há um ano atrás, um pouco perdida nos objetivos da minha vida, sem saber o que fazer com o meu tempo. Não imaginava que hoje não teria tempo para pensar nisso. A realização me consome, e empreender é o que me realiza.

E você, tem sonhado com o que? Talvez possa lhe servir um pouco do que aprendi, quando digo: não se aflija. Comece, tente, experimente, faça o novo. Não se compare com os outros, pois ninguém foi único tentando se espelhar no resto do mundo. Acrescente o que deu errado ao seu potencial e experiência. Faça o que você ama, e não o que você acha que deveria amar. Paixão é essência e a gente não escolhe.

Tento não me esquecer de curtir o meu presente, que passa tão rápido quando a gente só quer mais. Sonhar é sempre bom, mas mais gostoso ainda é viver a realidade que a gente sempre quis. É crescer querendo ser cada vez mais o que, hoje, somos.

Ps: Deixem as perguntas para a volta do #askmeanything nos comentários!

Não perca a fé no mundo! Cultura
14 MARçO. 2014
16 COMENTÁRIOS

Sei que as vezes é difícil pensar que existem muitas pessoas boas, verdadeiras e gentis por aí… Afinal, com tanta coisa ruim acontecendo, os bons valores vão se perdendo e a gente acaba se desiludindo. Mesmo assim, sempre é bom lembrar que, na verdade, este mundo é um bom lugar… Não acredita? Então leia o post até o final! 

Essa cartinha de uma criança…

1

 

 O Segurança mais legal do mundo!

2

A foto do soldado mais gentil que existe!

3

O que deixaram do lado de fora desta casa, em um dia extremamente quente.

4

A carta do pai de Nate (me emocionei muito!!)

5

” Nate,

Ontem eu ouvi a sua conversa no telefone com Mike sobre os seus planos de me contar que é gay. A única coisa que eu preciso que você planeje é trazer para casa suco de laranja e pão depois da aula. Nós saímos, como você sabe. Eu soube que você era gay desde que você tinha seis anos de idade. Eu sempre te amei desde que você nasceu.

P.S. Sua mãe e eu achamos que você e Mike forma um casal fofo.”

A foto do casal mais fofo da vida!

6

“Juntos desde 1954”

A foto deste empregado saindo da sua zona de conforto para ajudar.

7

Quando essa pessoa deu a sua bicicleta para um menino.

8

Que fofura, olha a carinha dele! Mega feliz e sem acreditar!

Essa foto do sonho de uma família se tornando realidade!

9

O cara que fez o dia deste pequeno jogador

10

E essa pessoa que decidiu que o gatinho não devia se molhar.

11

Quando essa menina recebeu o delivery mais legal de todos os tempos.

12

Quando essas pessoas colocaram este anúncio na frente de sua lavanderia.

13

Estes soldados!

14

E este garotinho que inventou um novo pagamento!

15

“Limonadas de graça… Com um sorriso!”

“As vezes as pequenas coisas ocupam o maior espaço no seu coração!”

Mil beijos e um fim de semana maravilhoso para vocês!

Razões para ser Bonita Beleza
03 SETEMBRO. 2013
20 COMENTÁRIOS

Neste domingo eu assisti a uma peça que me surpreendeu. Deixei o teatro pensativa, com aquele ar de quem acaba de descobrir verdades ou, quem sabe, reconhece-las. “Razões para ser Bonita” faz uso do embate de dois casais para discutir os padrões de beleza instituídos pela mídia e a importância das palavras nos relacionamentos. A história se desenvolve a partir do momento em que Steph (Ingrid Guimarães) fica indignada quando sua amiga Clara (Aline Fanju) lhe conta que seu namorado Greg (Gustavo Machado) disse que seu rosto era “comum”. “Como assim comum?!”, ela rebatia. A proporção do infeliz uso desta palavra fica clara quando Steph separa-se de Greg depois de se vingar do mesmo, atirando-lhe palavras ofensivas e destacando os seus defeitos que ela nunca suportou.

Em certo momento, a furiosa Steph questiona a platéia: “Quando foi que nós começamos a dar tanta importância à beleza física? Quando foi que nos tornamos incapazes de suportar qualquer defeito, qualquer imperfeição? Quando foi que ser comum se tornou inaceitável?”. Ela responde que foi ainda na infância, quando assistimos ao espelho dizer à rainha má que existia uma moça mais bela do que ela. Oras, o que a rainha poderia fazer, além de mandar arrancar o coração da moça?

Não me julguem hipócrita, não estou dizendo que beleza não importa. Importa, sim, quando faz parte de um conjunto, quando conta uma história, quando reflete a sua personalidade, e não permanece cega à suas vontades, respeitando apenas os padrões que o mundo resolveu instituir. A beleza importa quando é um conceito livre!

Tomo como exemplo pessoas supostamente lindas, com cabelos perfeitos, sorrisos de comercial e barrigas de tanquinho. Quando a mulher ou o homem são apenas o físico, a atração dura o tempo necessário para saciar alguns desejos. Depois acaba… Não cria admiração, não desperta ternura, não encanta, só atrai. De que adianta ser bonita para o mundo se você não é bonita para você? Se não tem charme, cultura, se não conhece nada da arte, da música, da culinária, da literatura. A real beleza a gente descobre com o tempo e, infelizmente, nem todo mundo sabe admirar. A real beleza, essa sim, é para poucos.

Voltando ao contexto da peça, é apenas no final que Steph e Greg conversam honestamente, e ele diz a ela que não é um homem de partes. Que não é um homem que gostava de seu rosto, perna, coxa… Ele gostava dela por inteiro. Ele não queria que o rosto “comum” a afetasse daquela maneira mas, sabe como é, os homens não entendem o que se passa na cabeça das mulheres. Apesar de não terminarem juntos, as últimas palavras de Greg acabam por deixar Steph mais confiante. Ela é tudo menos comum, ela é um conjunto de qualidades e defeitos que a tornam cada vez mais ela.

Aproveito para finalizar o texto com uma citação da incrível Martha Medeiros (como a admiro!):

“Conscientize-se de que sua inteligência é superior às suas medidas, que ser magrinha não atrai amor instantâneo, que sua personalidade é um cartão de visitas, que a felicidade é a melhor maquiagem, que ser leve é que emagrece. E dá-se a mágica.”

Mil beijos, lindas!