Dica de Leitura Lifestyle
13 NOVEMBRO. 2013
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O motivo pelo qual eu mais gosto de ler é que sempre me conheço um pouco mais. Sabe quando nos identificamos com palavras, sentimentos e histórias? Eu adoro me sentir assim e descobrir que não estou sozinha neste mundo. A Martha Medeiros me “conhece” mais do que ninguém… Sou muito fã, totalmente viciada em suas crônicas e textos em geral. Tenho a leve impressão de que ela escreve muita coisa só para mim, de tantas as vezes que terminei de ler e suspirei “era exatamente disso que eu precisava”. Sua última obra que virou livro de cabeceira foi “A Graça da Coisa”!

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Todo mundo passa por essa vida e coleciona histórias, experiências, mudanças e lembranças… Mas e aí? Qual é a “graça da coisa”? Nas 80 crônicas que coleciona no livro, Martha Medeiros relata com muita simpatia e simplicidade situações do cotidiano e nos mostra que não estamos sozinhas em nossas “neuroses diárias”.

“Passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável! Que o mundo está uma doidice sem tamanho não é preciso dizer. Então como sobreviver, ou melhor, como viver em meio a este caos que se transformou a nossa vida? Para Martha Medeiros, a grande questão é se desapegar daquilo que é desnecessário, que nos faz mal, que nos atrasa, e enxergar a graça da coisa – sendo a “coisa”, no caso, a própria vida. É deixar ideias pré-concebidas de lado, saber rir de si mesmo, se reinventar; estar aberto para encontrar o amor onde menos se espera, é transformar a ansiedade em sabedoria, é saber ouvir, é um conjunto de pequenas atitudes que, se colocadas em prática, vão nos ajudar a levar uma vida mais desestressada e, de quebra, nos surpreender.” (Sinopse)

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Juro que toda vez que lia uma crônica eu me sentia tão bem… Cheguei a desejar que o livro fosse infinito, ou, quem sabe, a própria Martha estaria ali sempre que eu precisasse para me aconselhar, direcionar e recontar a minha vida com um pouquinho mais de humor, estilo e graça. É um prato cheio para o auto-conhecimento!

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Acho muito difícil qualquer pessoa no mundo não se identificar com ao menos um dos textos desta talentosa gaúcha! Encontramos conforto nas palavras, quando nem a gente consegue se entender. Selecionei uma crônica dela que eu li estes dias e amei tanto que tenho repassado para todas as amigas, hehehe! Ela não está no livro, (que eu, mais do que aconselho, peço que vocês leiam pois vale muito a pena!) mas merece um minutinho do seu dia:

Amor e perseguição

“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”. Norman Mailer. Copiem. Decorem. Aprendam.

Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor em bares, buscamos o amor na interner, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.

Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará,e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza,ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.

“As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”. Normal Mailer. Divulguem. Repitam. Convençam-se.

O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar.

Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa.

Demais, né? Impossível não amar!

Mil beijos e boa leitura!

Razões para ser Bonita Beleza
03 SETEMBRO. 2013
20 COMENTÁRIOS

Neste domingo eu assisti a uma peça que me surpreendeu. Deixei o teatro pensativa, com aquele ar de quem acaba de descobrir verdades ou, quem sabe, reconhece-las. “Razões para ser Bonita” faz uso do embate de dois casais para discutir os padrões de beleza instituídos pela mídia e a importância das palavras nos relacionamentos. A história se desenvolve a partir do momento em que Steph (Ingrid Guimarães) fica indignada quando sua amiga Clara (Aline Fanju) lhe conta que seu namorado Greg (Gustavo Machado) disse que seu rosto era “comum”. “Como assim comum?!”, ela rebatia. A proporção do infeliz uso desta palavra fica clara quando Steph separa-se de Greg depois de se vingar do mesmo, atirando-lhe palavras ofensivas e destacando os seus defeitos que ela nunca suportou.

Em certo momento, a furiosa Steph questiona a platéia: “Quando foi que nós começamos a dar tanta importância à beleza física? Quando foi que nos tornamos incapazes de suportar qualquer defeito, qualquer imperfeição? Quando foi que ser comum se tornou inaceitável?”. Ela responde que foi ainda na infância, quando assistimos ao espelho dizer à rainha má que existia uma moça mais bela do que ela. Oras, o que a rainha poderia fazer, além de mandar arrancar o coração da moça?

Não me julguem hipócrita, não estou dizendo que beleza não importa. Importa, sim, quando faz parte de um conjunto, quando conta uma história, quando reflete a sua personalidade, e não permanece cega à suas vontades, respeitando apenas os padrões que o mundo resolveu instituir. A beleza importa quando é um conceito livre!

Tomo como exemplo pessoas supostamente lindas, com cabelos perfeitos, sorrisos de comercial e barrigas de tanquinho. Quando a mulher ou o homem são apenas o físico, a atração dura o tempo necessário para saciar alguns desejos. Depois acaba… Não cria admiração, não desperta ternura, não encanta, só atrai. De que adianta ser bonita para o mundo se você não é bonita para você? Se não tem charme, cultura, se não conhece nada da arte, da música, da culinária, da literatura. A real beleza a gente descobre com o tempo e, infelizmente, nem todo mundo sabe admirar. A real beleza, essa sim, é para poucos.

Voltando ao contexto da peça, é apenas no final que Steph e Greg conversam honestamente, e ele diz a ela que não é um homem de partes. Que não é um homem que gostava de seu rosto, perna, coxa… Ele gostava dela por inteiro. Ele não queria que o rosto “comum” a afetasse daquela maneira mas, sabe como é, os homens não entendem o que se passa na cabeça das mulheres. Apesar de não terminarem juntos, as últimas palavras de Greg acabam por deixar Steph mais confiante. Ela é tudo menos comum, ela é um conjunto de qualidades e defeitos que a tornam cada vez mais ela.

Aproveito para finalizar o texto com uma citação da incrível Martha Medeiros (como a admiro!):

“Conscientize-se de que sua inteligência é superior às suas medidas, que ser magrinha não atrai amor instantâneo, que sua personalidade é um cartão de visitas, que a felicidade é a melhor maquiagem, que ser leve é que emagrece. E dá-se a mágica.”

Mil beijos, lindas!