Who run the world? Lifestyle
24 MARçO. 2015
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Gostei tanto do último livro que li que me sinto quase na obrigação de indica-lo a vocês, assim como uma professora querida fez comigo. Ao escrever “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”, Sheryl Sandberg, chefe operacional do facebook, teve a intenção de incentivar a nós, mulheres, a buscarmos, em todos os sentidos, a nossa realização profissional. Confesso que fiquei impressionada com as pesquisas por ela apresentadas, comprovando a – enorme! – diferença entre oportunidades, salários e carreiras de homens e mulheres. Não vivemos em um mundo feminista, ou sequer igualitário. Essa desigualdade não parece tão notável em nosso dia-a-dia, pois estamos muito acostumadas com o que sempre nos foi dito.

Quando eu era criança, tinha uma turma de amigos no prédio que mais se parecia com uma organização infantil. Criei “carteirinhas” de identificação para cada membro, descrevendo nome, apelido e especialidade. Sabe qual era a minha? Mandar. Naquela época, inventava peças de teatro para dirigir, vídeos para gravar, reuniões da comissão do “play” para designar funções. Eu supria a vontade de tudo o que queria fazer no futuro, com aquelas brincadeiras nem tão “de criança” assim. Tive a sorte de ser sempre incentivada pela minha família, que enxergava a minha habilidade de “mandar” como vantagem para uma menina que, quando mulher, queria ser levada a sério.

A realidade é que, na maioria das vezes, as meninas não são encorajadas a se posicionarem como líderes. Não contam a elas do sonho de se realizar em suas profissões com o mesmo entusiasmo com que destacam a importância de encontrar o príncipe encantado. Aí, perpetuamos a cultura de desigualdade entre os gêneros. Criamos meninas-mulheres que dificilmente irão reconhecer todo o potencial que possuem.

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Sempre tive preguiça dos parâmetros sociais: a grande maioria das pessoas enxerga com muito preconceito tudo o que não parece de acordo com o que estamos “acostumados”. Mulher bem sucedida que contribui com a maior parte das contas da família? É mal amada! Não vejo, no mundo em que vivemos, motivos para acreditar que o sucesso profissional não seja sexy. Até onde eu sei, relacionamento é parceria, não competição.

Passei a infância comendo miojo nos fins de semana; minha mãe sempre deixou claro o quanto detestava a cozinha (mãe, você sabe que amo miojo até hoje,rs!). Hoje, ela e minha madrinha (cuja afinidade com a cozinha é totalmente oposta), comandam um restaurante na minha cidade. Cresci a vendo trabalhar muito e não tenho nenhum trauma dos dias em que ela não pode me buscar na escola. Tenho é muito orgulho.

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Fui criada para conquistar a minha independência e jamais acreditar nos estereótipos. Ganho o meu próprio dinheiro, saio toda semana com as meninas, trabalho nos fins de semana e aprendi com o meu namorado a fritar ovo. Ele também passa roupa muito melhor do que eu. Acho engraçado quando perguntam como ele fica já que viajo todo mês para trabalhar, pois tenho certeza de que não perguntariam como fico, se fosse ele em meu lugar.

Seria ótimo se todo mundo fosse um pouco mais feminista. O feminismo, segundo o dicionário, objetiva os direitos equânimes a partir da libertação de padrões opressores baseados em normas de gêneros. Simplificando: igualdade entre homens e mulheres. Se o mundo fosse feminista, as mulheres não receberiam 70 centavos para cada dólar que o homem ganha, exercendo o mesmo cargo. Também não se sentiriam intimidadas a se tornarem as “mais inteligentes da classe”, só porque “os caras não curtem as nerds”. Teriam filhos e, naturalmente, não seriam desencorajadas a continuarem crescendo profissionalmente. Teríamos mais líderes e, sem dúvidas, seríamos mais unidas.

Mudanças podem ser delicadas, mas são bem-vindas. Neste caso são particularmente necessárias e urgentes. Agradeço a Sheryl Sandberg por despertar em nós a vontade de fazer acontecer. Juntas, ‘we run the world, girls’.

Beijos,

Luisa.