Razões para ser Bonita Beleza
03 SETEMBRO. 2013
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Neste domingo eu assisti a uma peça que me surpreendeu. Deixei o teatro pensativa, com aquele ar de quem acaba de descobrir verdades ou, quem sabe, reconhece-las. “Razões para ser Bonita” faz uso do embate de dois casais para discutir os padrões de beleza instituídos pela mídia e a importância das palavras nos relacionamentos. A história se desenvolve a partir do momento em que Steph (Ingrid Guimarães) fica indignada quando sua amiga Clara (Aline Fanju) lhe conta que seu namorado Greg (Gustavo Machado) disse que seu rosto era “comum”. “Como assim comum?!”, ela rebatia. A proporção do infeliz uso desta palavra fica clara quando Steph separa-se de Greg depois de se vingar do mesmo, atirando-lhe palavras ofensivas e destacando os seus defeitos que ela nunca suportou.

Em certo momento, a furiosa Steph questiona a platéia: “Quando foi que nós começamos a dar tanta importância à beleza física? Quando foi que nos tornamos incapazes de suportar qualquer defeito, qualquer imperfeição? Quando foi que ser comum se tornou inaceitável?”. Ela responde que foi ainda na infância, quando assistimos ao espelho dizer à rainha má que existia uma moça mais bela do que ela. Oras, o que a rainha poderia fazer, além de mandar arrancar o coração da moça?

Não me julguem hipócrita, não estou dizendo que beleza não importa. Importa, sim, quando faz parte de um conjunto, quando conta uma história, quando reflete a sua personalidade, e não permanece cega à suas vontades, respeitando apenas os padrões que o mundo resolveu instituir. A beleza importa quando é um conceito livre!

Tomo como exemplo pessoas supostamente lindas, com cabelos perfeitos, sorrisos de comercial e barrigas de tanquinho. Quando a mulher ou o homem são apenas o físico, a atração dura o tempo necessário para saciar alguns desejos. Depois acaba… Não cria admiração, não desperta ternura, não encanta, só atrai. De que adianta ser bonita para o mundo se você não é bonita para você? Se não tem charme, cultura, se não conhece nada da arte, da música, da culinária, da literatura. A real beleza a gente descobre com o tempo e, infelizmente, nem todo mundo sabe admirar. A real beleza, essa sim, é para poucos.

Voltando ao contexto da peça, é apenas no final que Steph e Greg conversam honestamente, e ele diz a ela que não é um homem de partes. Que não é um homem que gostava de seu rosto, perna, coxa… Ele gostava dela por inteiro. Ele não queria que o rosto “comum” a afetasse daquela maneira mas, sabe como é, os homens não entendem o que se passa na cabeça das mulheres. Apesar de não terminarem juntos, as últimas palavras de Greg acabam por deixar Steph mais confiante. Ela é tudo menos comum, ela é um conjunto de qualidades e defeitos que a tornam cada vez mais ela.

Aproveito para finalizar o texto com uma citação da incrível Martha Medeiros (como a admiro!):

“Conscientize-se de que sua inteligência é superior às suas medidas, que ser magrinha não atrai amor instantâneo, que sua personalidade é um cartão de visitas, que a felicidade é a melhor maquiagem, que ser leve é que emagrece. E dá-se a mágica.”

Mil beijos, lindas!